<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228</id><updated>2011-11-27T21:43:18.399-02:00</updated><category term='desodorante'/><category term='2009'/><category term='amigos'/><category term='futilidade'/><category term='desesperança.'/><category term='dicas'/><category term='zica'/><category term='Tédio'/><category term='relacionamento'/><category term='xampu'/><category term='desastre'/><category term='coincidência'/><category term='desabafo'/><category term='toc'/><category term='sonho'/><category term='lerdeza'/><category term='controle'/><category term='Máquina de lavar'/><category term='autismo'/><category term='distúrbio'/><category term='perda'/><category term='medo'/><category term='solteirice'/><category term='Higiene pessoal'/><category term='baleias'/><category term='nerds'/><category term='prontofalei'/><category term='astrologia'/><category term='reveillon'/><category term='comportamento'/><category term='frustração'/><category term='the twilight zone'/><category term='bizarrice'/><title type='text'>Resistance is useless</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>35</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-2775924816718658988</id><published>2009-07-22T22:59:00.003-03:00</published><updated>2009-07-22T23:27:35.173-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desastre'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futilidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dicas'/><title type='text'>Rituais de beleza da mulher contemporânea: Fazendo as unhas.</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Este post é dedicado a você, mulher moderna, profissional respeitável &lt;s&gt;e gostosinha de fim de semana&lt;/s&gt;, que corre de um lado para outro feito um suricate cego, com a honesta intenção de dar conta de todas as tarefas do dia a dia - mas que não descuida da aparência nunca. Hoje ensinarei técnicas de otimização do tempo para que você consiga fazer as unhas de maneira eficaz e organizada, evitando ao máximo desastres de percurso que podem envolver mutilações de médio porte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Primeiro passo: Removendo o esmalte&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caso você esteja ainda com o esmalte da semana passada, aquele vermelhão Vila Mimosa parcialmente descascado (o que te dá de brinde um letreiro piscando em letras garrafais a palavra DESLEIXO sobre a sua cabeça), comecemos por removê-lo. Com os dentes. O momento ideal para fazê-lo é no ponto de ônibus, após o trabalho, naquela fila interminável que cheira a frango de padaria, desodorante vencido e pão fresco. É importante utilizar apenas os incisivos centrais superiores e inferiores, que são especialmente indicados para a remoção de esmalte através de raspagem. Uma dica: evite sorrir durante o processo, seja para amigos, velhinhas simpáticas ou bebês de colo. Mais vale a fama de antipática do que o ridículo de ser vista com um cascão vermelho nos dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Segundo passo: Retirando as cutículas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após a completa remoção do esmalte, deve-se utilizar o mesmo processo descrito acima para realizar o corte das sobras de cutícula. Note que a essa altura você já pode contar com um surto de impaciência e ansiedade para dar cabo do serviço mais depressa, uma vez que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a) O ônibus não vem;&lt;br /&gt;b) O ônibus não vem e você tem fome;&lt;br /&gt;c) O ônibus não vem, você tem fome e as crianças que saíram da escola as CINCO da tarde ainda perambulam pelo terminal, tropeçando nas suas pernas a cada lance no futebol de bolinha de papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve-se evitar, contudo, que a impaciência se transforme num rompante incontrolável de ódio contra o sistema de transporte público, pois isso poderia acarretar a amputação de algum dedo num momento de distração. Incisivos centrais podem ser cruéis quando fora de controle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coletivo finalmente dá o ar da graça enquanto você nota, desolada, que vai lotar antes mesmo que se possa chegar à porta de embarque. O que a consola é que as unhas estão finalmente prontas para receberem o esmalte. Você jura que vai chegar em casa e usar aquele clarinho, bonitinho e limpo, que facilita consideravelmente o trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight:bold;"&gt;Terceiro passo: Pintando as unhas&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente em casa, a primeira providência a ser tomada é procurar pelos vidrinhos de Gabriela, Pitanga ou Rebu (alguém falou em esmalte clarinho?), que são um arraso, mas invariavelmente fazem cagadas homéricas, diretamente proporcionais à falta de coordenação motora da usuária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez encontrado o esmalte de cor ideal – que contra todas as suas expectativas estava justamente na gaveta de esmaltes, inconvenientemente o último lugar onde você procurou – procede-se à pintura. Como tratamos aqui de um melhor aproveitamento do tempo, antes de começar a lambança em si coloque a panela de arroz no fogão, a lasanha congelada no microondas, ligue a TV no noticiário, abra o jornal que não deu tempo de ler pela manhã e deposite um animal de estimação felpudo e fofinho sobre seus pés gelados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tiver tudo sob controle &lt;s&gt;o que geralmente não acontece, não se iluda&lt;/s&gt;, você pode finalmente começar a pintar. Primeiro a mão esquerda, que é relativamente fácil, de modo que você consegue pintar as unhas apenas, evitando toda a área próxima. Após um breve momento de glória você percebe que a água do arroz secou e aqueles estalos altos e ameaçadores não são provenientes de fogos de artifício na rua, uma vez que o jogo do Flamengo nem começou. É apenas o seu jantar indo pelo ralo, o que no fim das contas já não importa tanto, pois você olha para a sala e percebe que o animal fofinho e felpudo derramou meio vidro de esmalte e se diverte deixando pegadas de cor escarlate por todo o tapete, fazendo com que você perca instantaneamente a fome, além do bom senso. Aproveite que está na cozinha e já passe a mão no rolo de papel absorvente, pois vai precisar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;&lt;span style="color:#c0c0c0;"&gt;N.A: Aqui caberiam dicas sobre como remover manchas de esmalte de tapetes, estofados, cortinas, pelos de gato e mesinhas de telefone, mas para não fugir do tema principal, deixarei este assunto para outra ocasião.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas horas depois você começa a pintar a mão direita e é aí que mora o perigo. Pessoas habilidosas enfrentam certa dificuldade ao fazê-lo. Pessoas desastradas, como é o caso, estão completamente abandonadas à própria sorte. Tente se concentrar na primeira falange (é desumano exigir que se pinte apenas as unhas nesse caso), do contrário a limpeza do excesso de esmalte pode se tornar uma tarefa ingrata e demorada. Passe uma demão de óleo secante e realize a remoção dos excessos supracitados com um pau de laranjeira e algodão embebido em removedor. Verifique se o gato respira sem dificuldade, desligue o microondas na tomada, confira se tem miojo no armário e conte os dedos das mãos. Caso contabilize um total de dez, meus parabéns, você conseguiu, em menos de quatro horas, fazer as unhas não de uma, mas de DUAS mãos, sem sofrer maiores conseqüências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exausta e orgulhosa de sua obra, você despenca na cama para uma merecida noite de sono, percebendo na manhã seguinte - com indisfarçável horror - que o cobertor imprimiu um padrão de linhas finas e cruzadas, imitando papel linho, na sua pintura lisa, brilhante e perfeita. Respire fundo e tente não entrar em pânico: você sempre pode voltar ao primeiro passo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-2775924816718658988?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/2775924816718658988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/07/rituais-de-beleza-da-mulher.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/2775924816718658988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/2775924816718658988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/07/rituais-de-beleza-da-mulher.html' title='Rituais de beleza da mulher contemporânea: Fazendo as unhas.'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-3543839223915256217</id><published>2009-07-13T12:34:00.003-03:00</published><updated>2009-07-13T12:46:03.981-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desabafo'/><title type='text'>Erase, rewind.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SltWHZLjNBI/AAAAAAAAADQ/hQNdCdFQLmY/s1600-h/gato-de-botas.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 289px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SltWHZLjNBI/AAAAAAAAADQ/hQNdCdFQLmY/s320/gato-de-botas.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357970866705740818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Bom, já que você fez desse jeito, farei o mesmo. Cheguei muito atrasada e a última coisa que deveria estar fazendo é escrever aqui. Não que eu me sinta na obrigação de explicar algo pra alguém, mas se esse alguém é você eu acredito que no mínimo valha a pena tentar. Primeiramente, você tinha razão: era uma forma de desabafo, quase sempre o é. Um jeito de dizer pra mim mesma, e eventualmente pra quem se der ao trabalho de ler, que eu sou daquele jeito, que pode não ser o melhor jeito, que pode não ser o jeito certo, que pode ser o jeito que dá mais trabalho, mas é o que eu sou. Muitas vezes não é fácil para as pessoas me aceitarem assim e outras tantas eu mesma esbarre nessa dificuldade, me obrigando a entender que sou aquilo ali, doa a quem doer, mesmo que doa em mim.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um desabafo movido por sentimentos e lembranças que datam de muito antes de sequer sonhar em conhecer você. Apesar de ser uma pessoa cheia de vida e alegria, e que por isso mesmo - ao contrário do que você diz - chama muita atenção sim, você não é nem de longe o tipo de pessoa que me levou a escrever aquele texto. Pra minha sorte, pois do contrário eu não a teria como amiga. Não quis em nenhum momento cutucá-la, tentar arranhar a sua dignidade - posto que conheço a matéria da qual ela é feita - e menos ainda tirar de você por um minuto que fosse sua paz ou sua alegria, pois pra esse crime não haveria castigo justo o bastante. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já tivemos nossos problemas sim. Problemas até infantis demais pra quem se diz mulherão, e acho que concordamos nisso. Ninguém estava certo ou errado e em dados momentos as palavras podem servir como armas. Pior, armas que a gente sabe usar. Mas você, desprovida de orgulho besta, botou meu muro abaixo e é uma das poucas pessoas capazes de fazê-lo. E te admiro por isso. Pelas nossas diferenças, não pelos pontos em comum. Não preciso de outra de mim, mas um pouco de você se faz necessário pra haver equilíbrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto aos exemplos citados, eles vêm de muito tempo, coisa de escola, e sim, foi uma infeliz coincidência que eu só fui perceber quando já era tarde. Poderiam ser Marcelos, Robsons ou Antonios, mas os Brunos e Rodrigos eram em maior número, dezenas deles pelo ensino fundamental afora e foi deles que me lembrei. Eu posso trocar, sem problema nenhum, se isso te incomoda, pois a idéia permanecerá a mesma. Só quero deixar claro que nada teve a ver com o que você está achando e te peço pra lembrar sempre que “achar” é algo muito arriscado. Tive um professor que dizia que tudo que vinha depois de “Eu acho...” deveria ser descartado. Ou você sabe ou você não sabe. Ou você acredita ou você não acredita. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu entendo que os últimos acontecimentos possam ter te levado a “achar” que aquelas palavras fossem encaminhadas a você, mas eram de mim para mim. E não foram inspiradas em qualquer momento que eu tenha passado ao seu lado e sim por 5 minutos num saguão de hotel na companhia da minha irmã. E nem por isso eu a amo menos, por ela ser quem ela é. Não tive a intenção de menosprezar ninguém para justificar quem eu sou, por mais que minha aspereza possa ter feito parecer que sim. E já que esse texto tem uma tendência forte a resvalar pelo brega, termino com Caetano, que deve saber o que diz (ou não): "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-3543839223915256217?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/3543839223915256217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/07/erase-rewind.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/3543839223915256217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/3543839223915256217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/07/erase-rewind.html' title='Erase, rewind.'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SltWHZLjNBI/AAAAAAAAADQ/hQNdCdFQLmY/s72-c/gato-de-botas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-893318636282554424</id><published>2009-07-12T18:24:00.004-03:00</published><updated>2009-07-12T18:39:27.758-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prontofalei'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='distúrbio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='astrologia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>Confissões de uma jaguatirica escorpiana</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Cá estou num domingo tipicamente petropolitano – frio e deprimente – mais uma vez tentando me entender e, para manter a tradição, falhando miseravelmente. Na falta de chocolate, cerco-me de paçoquinhas para adoçar as conclusões e de gatos – os felinos mesmo - para esquentar os pés. Alguém pergunta no MSN se estou melhor. Eu me pergunto se estive mal recentemente. E lembro, logo em seguida, de ter assustado essa mesma pessoa diante da minha incapacidade de digitar após umas cervejas e um beijo caliente do Jose. O Cuervo. Concluo que sim, estou melhor, ao menos do ponto de vista clínico. Logicamente preferia estar bêbada, já que não há muito mais o que se fazer com um domingo desses. E sem ter pra onde correr, começo a lembrar, a pensar e a remoer algumas atitudes minhas (ou a falta delas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se meu problema de verdade é alguma espécie de autossuficiência adquirida, se é o clássico medo de me expor e causar uma impressão errada – o que é estúpido - ou se é uma timidez crônica, outra coisa estúpida que atrapalha nossa vida em todas as esferas possíveis e imagináveis. A questão é que eu tenho a tendência a manter as coisas no raso. Não aconselho ninguém a fazer o mesmo e tampouco sustento que essa seja uma atitude saudável. Pode funcionar como uma espécie de proteção sim, mas fazendo uma analogia bem besta, se você constrói um muro alto em volta de si não vai afastar apenas as pessoas indesejáveis. A não ser que seu muro seja dotado de inteligência artificial e possa fazer uma triagem satisfatória, baseado em informações previamente inseridas.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Nunca fui aquele tipo de menina que passava as tardes na casa das amigas, trocando figurinhas e se embrenhando no closet alheio. Fui a última da turma a dar umas bitoquinhas e provavelmente a última também a dar, se é que vocês me entendem. Não era uma grande fã de abraços, beijos melados e cafunés e talvez por isso mesmo sempre tenha preferido a companhia dos meninos. Soltando pipa ou jogando bolinha de gude eu estava a salvo de nhenhenhéns, podia correr, xingar, sentir o vento no cabelo e não precisava me vestir igual a cinco ou seis garotas e passar a tarde comentando como o Bruno ou o Rodrigo estavam gatinhos, entre risinhos e trocas de batom. Nenhuma dessas escolhas me fez menos mulher. Talvez um pouco complicada sim, do tipo que mantém a defensiva &lt;s&gt;e arranca a cabeça do macho após a cópula&lt;/s&gt;, mas não intragável. Eu acho. Preciso de uma segunda opinião.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de não mendigar atenção e carinho, de ficar na minha, de não ser uma festa ambulante ou de não ostentar aquela aura de pessoa irritantemente feliz a todo custo me confere um ar de antipatia, algo que me chama a atenção justamente quando estou na presença de alguém que é exatamente o contrário de tudo isso - minha irmã, por exemplo. O tipo de pessoa que em 5 minutos vira sua melhor amiga de infância. Que conhece por nome e sobrenome cada atendente de padaria, motorista de táxi ou caixa de banco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que nunca sofri maus tratos ou abuso por parte de meus familiares (pelos menos não que me lembre, dizem que a memória bloqueia certas lem... tá, parei) e diante da dificuldade de explicar ou justificar essa minha fama de má, apelo para a providencial ajuda da astrologia, que mesmo não sendo uma ciência exata, de vez em quando acerta nos seus pitacos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não lhe faltam resistência nem energia e dá tudo de si em situações difíceis. Sente-se diferente dos outros, tem dificuldade em se integrar&lt;/span&gt; (eu não disse?), &lt;span style="font-style:italic;"&gt;ainda mais porque raramente está livre de tensão. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;Lúcido&lt;/span&gt; (quando sóbrio), &lt;span style="font-style:italic;"&gt;espírito penetrante, crítico e perspicaz. Determinado, concentrado&lt;/span&gt; (Yeah, right), &lt;span style="font-style:italic;"&gt;confiante. Não se deixa influenciar, manda na sua vida, portanto é responsável pelo que lhe acontece. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Atenção para esta parte) &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não gosta de ser contrariado, nem que indaguem dos seus motivos. Força situações&lt;/span&gt; (quer dizer que sou manipuladora), &lt;span style="font-style:italic;"&gt;perspicaz, sutil, ardente, leal. Ajuda-se, se quiser, e aos outros. Vingativo, antagônico, sarcástico, violento &lt;/span&gt;(muita calma nessa hora). &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Possui autorrespeito, não se preocupa com o que os outros pensam, pois tem boa opinião de si. Bom julgamento. Também quer segurança emocional. Tudo ou nada. Ar impenetrável, face de jogador de pôquer&lt;/span&gt; (poker face my ass). &lt;span style="font-style:italic;"&gt;Não esquece quem lhe ajuda, nem quem lhe prejudica &lt;/span&gt;(anotou?).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como podem notar, sou inocente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tudo culpa dos astros. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encerro minha defesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-893318636282554424?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/893318636282554424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/07/confissoes-de-uma-jaguatirica.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/893318636282554424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/893318636282554424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/07/confissoes-de-uma-jaguatirica.html' title='Confissões de uma jaguatirica escorpiana'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-1245928465261857041</id><published>2009-07-10T01:25:00.004-03:00</published><updated>2009-07-10T01:45:43.100-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='distúrbio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='toc'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='controle'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='autismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>Eu tenho um problema...</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;Aliás, tenho vários. Inclusive acredito fortemente que o título desse post deveria ganhar um selo de “retornável”, pois é certo que o usarei outras vezes: “Eu tenho um problema – parte XVIII”. Mas falemos primeiramente da dificuldade principal, aquela que dá origem a quase todos os outros imbróglios: eu tenho TOC. Falo sério. Tive uma melhora discreta nos últimos meses, mas ele nunca deixa de dar as caras e mostrar quem é que manda. Se você já esteve por &lt;a href="http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/04/toc-toc.html"&gt;aqui&lt;/a&gt;, provavelmente sabe algo a respeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro manter sempre meu armário bem arrumado, as roupas separadas por cor e freqüência de uso, as gavetas fechadas em ângulo reto e perfeito, sem nenhuma fresta pornográfica me olhando de rabo de olho. Tudo o que puder ser limpo, arrumado, organizado e catalogado, será. Basta para isso que eu tenha algum tempo livre e força para encarar a luta. E quando não os tenho só me resta, resignada, fritar bolinho a noite inteira por conta daquele pé de meia que desapareceu misteriosamente e do qual é quase certo que não se terá notícias nunca mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cedo ou tarde o trabalho termina, afinal, as coisas não se bagunçam sozinhas. Na ânsia de encontrar algo para arrumar, etiquetar, arquivar ou catalogar, decidi organizar minhas idéias, meus pensamentos e os &lt;s&gt;muitos&lt;/s&gt; problemas com status de "pendentes". Mal sabia eu. O cenário era de horror absoluto, nenhum campo de batalha abandonado há duas semanas cheiraria tão mal, nenhum contêiner de lixo inglês seria mais caótico e sem propósito, nenhuma morte de ídolo pop seria tão cercada de controvérsias e contradições. Mas tentei, bravamente. Na minha saga contei com toda ajuda que pude conseguir, começando pela idéia vagamente inspirada - respeitando-se minhas livres interferências - no filme Eternal Sunshine of the Spotless Mind: separar tudo, imaginando salas com portas identificadas, corredores, estantes, arquivos, pastas suspensas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que pela primeira vez não falhei tão miseravelmente numa tarefa auto-imposta, pois agora minhas idéias - e principalmente meus problemas, visto que são em maior número - ficam confortavelmente alojados no hemisfério esquerdo do meu cérebro, catalogados, a grosso modo, por assunto. Às vezes a logística falha, como quando as gavetas "Relacionamento" e "Financeiro" dão de ficarem abarrotadas, espalhando encrenca por todos os lados. Nessas ocasiões até busco umas dicas de arquivamento em apostilas de estudo para concursos públicos que, devo confessar, nunca utilizo. Acabo habitualmente separando por cor, tamanho, relevância, sexo e assunto. Por exemplo: “Se aquela vaca não me pagar o que deve, a coisa vai ficar preta.”, podemos notar facilmente que se trata de um problema financeiro de média relevância, do sexo feminino, habitante da pasta dos pretinhos básicos, quarta gaveta de cima pra baixo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;s&gt;des&lt;/s&gt;vantagem do excesso de organização é que ele me impede de misturar as coisas (isso não se aplica a destilados, fermentados e drinks coloridos de toda sorte), de forma que consigo separar coisas básicas como amor, amizade, sexo, dinheiro e família. Funciona da seguinte forma: meus familiares não me ajudam com porra nenhuma, mas eles são meus amigos assim mesmo. Meu trabalho não é sempre meu amigo, às vezes ele me fode e quase nunca supre satisfatoriamente minhas necessidades materiais. Quando gosto de alguém, não deixo que pague a conta. Não sem antes protestar, brigar, xingar, babar e ter um ataque epilético no caixa do restaurante. Se um cara serve pra ser um ótimo amigo, do tipo que dá dicas de corte de cabelo e assiste desfiles da Calvin Klein, dificilmente pensarei em &lt;s&gt;dar pra ele&lt;/s&gt; sair com ele, mas pode ser que eu peça dinheiro emprestado. Ou não. Certamente não. Sem sombra de dúvida que não. Tudo bem, confesso que fiquei confusa. Melhor voltar do começo. Eu tenho um problema...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-1245928465261857041?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/1245928465261857041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/07/eu-tenho-um-problema.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/1245928465261857041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/1245928465261857041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/07/eu-tenho-um-problema.html' title='Eu tenho um problema...'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-6105100933687452707</id><published>2009-07-09T22:04:00.004-03:00</published><updated>2009-07-09T22:10:58.097-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='distúrbio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='controle'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>Diálogos cotidianos: Parte II</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;_ Coloca essa foto como avatar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Tá tão bonita...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Tudo bem, eu coloco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Pensando bem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Se você colocar e alguém compartilhar da minha opinião, alguém do sexo feminino, alguém solteiro, alguém bonito, encantador, inteligente, fascinante, loira e peituda, que por ventura venha a despertar a sua curiosidade e/ ou interesse e a partir de um “inocente” comentário acerca de uma foto nascer um diálogo despretensioso que pode evoluir pra um relacionamento - ainda que virtual - e eu sei, você sabe, relacionamentos virtuais podem ultrapassar as fronteiras da internet e eu vou terminar descabelada e louca, te seguindo pela rua depois do trabalho pra ver que caminho você anda fazendo, cheirando suas roupas, proibindo o futebol de domingo, regulando seus horários e proferindo impropérios via web pra alguma desocupada destruidora de lares que eu nem sequer conheço e prefiro não chegar a conhecer. Então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Já deletei, amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-6105100933687452707?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/6105100933687452707/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/07/dialogos-cotidianos-parte-ii.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/6105100933687452707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/6105100933687452707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/07/dialogos-cotidianos-parte-ii.html' title='Diálogos cotidianos: Parte II'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-7103188782073156380</id><published>2009-05-28T17:41:00.007-03:00</published><updated>2009-05-28T17:59:08.421-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='2009'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desesperança.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='frustração'/><title type='text'>Dies Irae</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/Sh74BSDSP6I/AAAAAAAAADI/5BvmARHTqaU/s1600-h/arcan12.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 176px; height: 314px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/Sh74BSDSP6I/AAAAAAAAADI/5BvmARHTqaU/s320/arcan12.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340978909017161634" /&gt;&lt;/a&gt; Eu sei, estou sem escrever aqui há muito tempo. O motivo é um só: gente pra reclamar tem aos montes, não quero me servir do blog &lt;s&gt;só&lt;/s&gt; pra isso. Eu costumava usar esse espaço como válvula de escape sim, mas geralmente saíam uns textos que se não eram engraçados, eram pelo menos desesperadamente caóticos, como é a minha rotina. E provavelmente a sua também. E a dos outros. Nada me animava mais do que a perspectiva de chegar em casa depois de um dia cheio &lt;s&gt;de merda&lt;/s&gt;, tomar um banho, comer qualquer coisa e sentar na frente do monitor com aquela tela branca hipnotizante onde eu poderia vomitar tudo o que me incomodasse. Mas não tem sido assim. Tem uns meses, uns dois ou três eu acho, que só ligo o computador pra falar com você (é, você) e ler uma coisa ou outra por aí nos blogs da vida. Não estou reclamando disso não, de forma alguma. Conversar com você é tão bom quanto escrever.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema é que tudo que eu preciso... não, &lt;strong&gt;preciso&lt;/strong&gt; não. Tudo que eu &lt;strong&gt;TENHO VONTADE&lt;/strong&gt; de colocar no papel nasce durante o banho, enquanto estou escovando os dentes de manhã ou na espera pelo ônibus, 40 minutos atrasada, equilibrando bolsa, caderno da faculdade, casaco e cigarro, sem bloquinho, caneta e apoio para fazer anotações. Muita coisa vem também antes de dormir, naqueles minutinhos em que a gente fica repassando o dia mentalmente. Ontem à noite, logo depois que liguei o piloto automático e desliguei o computador, começou a chover forte e eu fiquei feliz por isso, pois sabia que ia conseguir pegar no sono depressa. Não há calmante no mundo que se compare ao barulho da chuva batendo na janela do quarto. Se cada fucked up insone no mundo parasse pra ouvir a chuva, ninguém mais tomaria Dalmadorm, Noctal ou Dormonid. Falando em chuva, acabou de chegar uma mensagem aqui dizendo que você ganhou uma piscina. Dentro do apartamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo do ano escrevi sobre as &lt;a href="http://casadamaejohana.blogspot.com/2008/12/feliz-2009.html"&gt;previsões para 2009 &lt;/a&gt;e apesar de não ser uma criatura muito holística, maluca beleza ou entusiasta do oculto, confesso que o ano tem sido tão ruim quanto os búzios e a astrologia previram. Parece que uma zica descomunal ronda minha família: mãe enfartada, pai hipertenso, avô deprimido e, dos males o menor, já tive amidalite três vezes de março pra cá, terminei um relacionamento que poderia estar na segunda série do ensino fundamental (se fosse uma criança), troquei de faculdade e me viro como posso para dar conta de tudo. É claro que não ando tendo sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora estou aqui me preparando psicologicamente pra buscar meu gato – ou o que restou dele – no veterinário. Dependendo do estado em que ele estiver vou ter de ficar perto e perderei aula na faculdade, sem poder. Ontem quando o deixei lá o veterinário ficou me olhando com aquela expressão óbvia de alguém que achava que quem estava precisando de cuidados médicos não era bem o gato. Parece pouca merda, eu sei. Quando penso nos males alheios meus problemas tomam uma proporção ridícula, mas ainda assim eles me dão torcicolo, me tiram a fome, tenho enxaqueca e deixo de escrever, de produzir, de viver por causa deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe continua usando o enfarte como desculpa para todo ataque de pelanca provocado por coisa nenhuma, meu pai hipertenso e gordo continua comendo feito um porco somaliano, descontando em todos sua revolta com a existência miserável que ele mesmo cavou para ele quando casou aos 21 e constituiu família sem o mínimo planejamento ou noção. Meu avô deveria considerar seriamente a possibilidade de entrar para um grupo de jogadores de gamão e... Tá vendo? Falei que não ia usar isso aqui para reclamar e já tenho 2.789 caracteres de pura revolta. Vou voltar ao trabalho, seguir seu conselho e tentar não olhar pra baixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-7103188782073156380?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/7103188782073156380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/05/dies-irae.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/7103188782073156380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/7103188782073156380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/05/dies-irae.html' title='Dies Irae'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/Sh74BSDSP6I/AAAAAAAAADI/5BvmARHTqaU/s72-c/arcan12.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-8748763460857326155</id><published>2009-05-28T11:40:00.003-03:00</published><updated>2009-05-28T11:51:32.133-03:00</updated><title type='text'>...</title><content type='html'>&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/Sh6i66cIl1I/AAAAAAAAAC4/KFvYo8ZsKtY/s1600-h/80697445.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5340885341111359314" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 338px; CURSOR: hand; HEIGHT: 294px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/Sh6i66cIl1I/AAAAAAAAAC4/KFvYo8ZsKtY/s400/80697445.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#999999;"&gt;&lt;strong&gt;TRÉGUA&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-8748763460857326155?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/8748763460857326155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/05/tregua.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/8748763460857326155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/8748763460857326155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/05/tregua.html' title='...'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/Sh6i66cIl1I/AAAAAAAAAC4/KFvYo8ZsKtY/s72-c/80697445.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-2421754246263575446</id><published>2009-04-27T14:57:00.005-03:00</published><updated>2009-04-27T15:45:06.792-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sonho'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bizarrice'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='the twilight zone'/><title type='text'>Eu sonhei que...</title><content type='html'>Estávamos andando há horas e o dia era de uma claridade tão intensa que se você olhasse pra cima e tentasse localizar a posição do sol, a impressão que teria era de que ele ocupava o céu TODO. Gagarin, se estivesse vendo de cima naquela hora, teria dito que a terra é branca como um ovo. Era como se milhares de lâmpadas fluorescentes de 100w estivessem pairando invisíveis sobre nossas cabeças. Claro e frio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em contraste com o branco, apenas o cinza do asfalto e o verde que ladeava a pista, num cenário que teria sido facilmente pintado por uma criança de oito anos brincando no Paintbrush. À medida que avançávamos, os arbustos baixos davam lugar a taquareiras e árvores de maior porte cujas raízes rachavam o asfalto, criando ondulações que dificultavam a caminhada. A estrada se estreitava e tomava forma de trilha, de modo que nem asfalto se via mais. Não sabia precisar a quanto tempo, mas já estávamos caminhando em mata fechada, desviando dos cipós e samambaias gigantes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai seguia mudo ao meu lado o tempo todo e sua expressão grave anulava minha vontade de perguntar se o caminho era aquele mesmo, pois para mim estávamos irremediavelmente perdidos. Quando já havia abandonado a pretensão de chegar a algum lugar, surgiu em meio à mata um portão de ferro, alto, pintado de verde. Como se tudo já não estivesse surreal o bastante, o pai se voltou pra mim muito sério e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Pode entrar, foi aqui que o Cazuza cresceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante da minha expressão de quem não está entendendo bulhufas ele abriu num chute o portão - que reclamou com um gritinho agudo - e me empurrou para dentro. Quando me virei já não havia mais pai, nem portão, nem mata fechada. Tudo que eu via até onde a vista alcançava era um gramado verde limão tão brilhante que causaria ataques epiléticos nos mais sensíveis. Do lado de dentro - que agora não era mais dentro, era tudo - havia uma casa grande, dessas de fazenda, branca com janelas azuis e uma varanda de madeira, na qual duas velhinhas nada decrépitas tricotavam e riam um riso solto, até perceberem minha presença. Uma delas, que lembrava a Bettie Page aos 80 anos, veio até mim e começou a me mostrar a fazenda (sítio, casa de repouso, viagem de ácido, chame como quiser). Tudo era estranhamente lindo e eu me distraí tanto que esqueci o que o Cazuza tinha a ver com aquilo tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na parte de trás do terreno, onde havia um lago, percebi o que era de longe a coisa mais esquisita que já tinha visto*: um cavalo de água. Não era um chafariz com efeitos especiais e muito menos uma escultura de gelo. Eu disse cavalo DE água. Feito de água. Vivo, andante e relinchante, mas incolor (se era também insípido e inodoro eu não posso afirmar com convicção). Ele bebericava do lago e cuspia longe. A cusparada passava rente ao meu rosto, molhando as teias de aranha da varanda logo atrás, me fazendo lembrar das teias orvalhadas do quintal de casa, quando eu acordava cedo pra brincar antes que o calor ficasse insuportável. E pareceu por um minuto que eu tinha feito todo aquele caminho até ali só para lembrar do orvalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando a lembrança desapareceu era noite e eu estava olhando o movimento na rua através da janela. Nem sombra do cavalo ou da fazenda. Duas mãos que eu não conhecia até então, mas que estavam acompanhadas de uma voz familiar, pousaram nos meus ombros e a voz perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Você não vem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu fui, sem saber o destino e nem o porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Ainda estou decidindo se declaro empate técnico com a aparição do Raul Seixas, com a criatura verde das bananeiras e com o passarinho transparente azul turquesa, que apareceu num outro sonho, dias depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-2421754246263575446?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/2421754246263575446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/04/eu-sonhei-que.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/2421754246263575446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/2421754246263575446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/04/eu-sonhei-que.html' title='Eu sonhei que...'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-4899702729666477724</id><published>2009-04-27T14:19:00.006-03:00</published><updated>2009-04-27T14:32:43.979-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='distúrbio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='toc'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='controle'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>Toc toc?</title><content type='html'>Às vezes brinco que tenho TOC. Eu digo que apenas &lt;em&gt;brinco&lt;/em&gt;, pois tenho consciência de que o transtorno obsessivo compulsivo é uma desordem mental de relativa gravidade e não chego a me considerar doente ainda, embora os indícios apontem o contrário. O TOC é um distúrbio ligado à ansiedade, segundo a &lt;a href="http://www.psych.org"&gt;Associação Psiquiátrica Americana&lt;/a&gt;, e devo admitir: sou ansiosa. Muito. Desgraçadamente, eu diria. Do tipo que rói as unhas até o toco, espreme cravos inexistentes no braço e morde os lábios à exaustão. Ou até sangrarem, o que vier primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas compulsões mais comuns estão relacionadas à organização e rituais. Não os satânicos, estes eu não pratico, embora possa citar uns seis ou oito nomes de pessoas que eu sacrificaria ao som de Gorgoroth, sem remorsos, em prol de um bem maior: o meu. Refiro-me aqui aos comportamentos voluntários e repetitivos aos quais me rendo após poucos segundos de negação e luta interna, como lavar o mesmo copo três vezes, caprichando nas beiradas.  Ou ainda quando arrumo a cama e uma das pontas do edredom ou do lençol fica mais comprida que do outro lado. Eu finjo que não vi e continuo arrumando. Ela pisca pra mim. Ignoro. A pontinha do edredom acena. Eu me viro e faço de conta que não é comigo. Ela ondula, apesar de não haver uma única corrente de ar no ambiente. Aí sim eu me rendo e o alarme de TOC pisca vermelho, as sirenes tocam ensurdecedores dentro da minha mente cambaleante e acabo desmontando tudo e arrumando de novo. Com precisão milimétrica, costuras retas e nenhuma dobra visível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo ocorre com meu armário. A organização das roupas segue um padrão claro. Primeiro separo por cores. Depois, por freqüência de uso (aquela saia rodada que eu detesto fica por baixo, por exemplo) e por fim, aproveito as cores para fazer um degradê: pretas por baixo, depois cinzas, azuis, roxas, lilases, rosas e por fim, brancas. As verdes e vermelhas eu deixo numa pilha à parte, pois não consegui encaixá-las nesse padrão ainda. Aceito sugestões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já atrasei também uma palestra em mais de 20 minutos porque não conseguia arrumar as cadeiras no auditório de modo que todas ficassem com exatamente a mesma distância entre elas. Não consigo pensar quando minha mesa de trabalho está caótica – o que corresponde a 80% do tempo – e arrumo a gola da camisa dos outros, mas nunca a minha própria. Tinha o hábito de, quando fazia as malas para viajar, ensacar cada peça de roupa separadamente, mas desse mal consegui me curar quando precisei dividir o quarto com uma amiga e ela escorregou num dos saquinhos, levando um tombo cinematográfico no banheiro do hotel. Ainda desviro chinelos, verifico se as luzes estão todas apagadas antes de dormir, duas, três vezes, se as vozes dentro da minha cabeça assim desejarem. Também não jogo nada no chão, salvo se a lixeira mais próxima estiver a 30 km de distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu primeiro contato com o TOC ocorreu ainda na infância, por volta dos oito anos de idade. Na ocasião conheci uma menina na casa da minha madrinha. Não lembro o nome dela, mas era simpática e já foi logo me puxando pro quintal, para brincar. Enquanto ela me levava pela mão esquerda eu ia escorregando a direita pela parede, enfiando os dedos nos vãos do reboco. Tão logo ela percebeu, uma expressão de horror absoluto tomou seu rosto e ela me puxou de volta para dentro, dessa vez com certa violência, me enfiando quase inteira dentro do tanque de lavar roupas. Ela esfregava com força minhas mãos enquanto explicava que eu não podia tocar nas paredes, que eram imundas e eu ficaria doente. Ela não devia ter mais que dez anos e eu não entendi muito bem na época, já que em casa eu brincava com lama, mato e outras coisas que provavelmente a teriam feito surtar completamente de nojo. Durante o pique-esconde ela me fez voltar à area de serviço várias vezes pra lavar as mãos, até que me cansei e me escondi, de vez, na barra da saia da minha mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrando disso, vejo que meu TOC se manifesta de maneira até saudável, não prejudica ninguém e &lt;s&gt;quase&lt;/s&gt; nunca me faz bancar a maluca. Espero apenas que num futuro não muito distante eu consiga parar de guardar todas as xícaras com as asas viradas para o mesmo lado e aceite que as almofadas do sofá &lt;strong&gt;NÃO&lt;/strong&gt; vão ficar sempre no mesmo lugar, a não ser que eu coloque Super Bonder nelas. Aliás, até que não é má ideia...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-4899702729666477724?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/4899702729666477724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/04/toc-toc.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/4899702729666477724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/4899702729666477724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/04/toc-toc.html' title='Toc toc?'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-6100530326537070245</id><published>2009-03-25T01:14:00.007-03:00</published><updated>2009-03-25T11:34:54.759-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='zica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lerdeza'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='autismo'/><title type='text'>Why is this happening to me?</title><content type='html'>Vou seguir o exemplo da &lt;a href="http://rosearosa.blogspot.com/2009/03/o-mal-em-se-morar-mal.html"&gt;Rose&lt;/a&gt; e usar isso aqui pra reclamar. Aliás, não apenas da Rose, como meu próprio, pois se pararmos para observar, basicamente é pra reclamar que este blog serve. A questão é que eu fiquei doente. Eu nunca fico doente. Como &lt;strong&gt;nunca&lt;/strong&gt;, &lt;strong&gt;jamais&lt;/strong&gt; e &lt;strong&gt;de forma alguma &lt;/strong&gt;apenas servem para expressar coisas que acontecem raramente, mas ainda assim acontecem, eu fico doente sim. Geralmente é um resfriado besta que passa sozinho sem causar maiores danos, por isso eu não tomo remédio. Mas quando você começa a sentir dor no corpo, febre, enxerga tudo embaçado e cai babando em cima do teclado, logo depois de espirrar trinta e sete vezes e ficar literalmente com dor nas costelas por causa disso, é hora de pensar a respeito. Sendo uma dessas pessoas que sentam e esperam a zica passar, eu não tenho conhecimento de causa pra saber que remédios tomar. Descrevi os sintomas entre meus &lt;s&gt;algozes&lt;/s&gt; colegas de trabalho e obtive três respostas diferentes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Joice, toma Tylenol, é tiro e queda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Joice, eu tomo um tal ‘não sei o que grip’. Não é Benegrip não. É Multigrip, eu acho. Sei que é tiro e queda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Joh, melhor você tomar Aspirina, que já está acostumada e sabe que é ti...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiro e queda. Sim, eu sei. Aliás, o tiro eu não sei de onde veio, mas a queda eu senti, uns quarenta minutos após ter tomado um de cada. O tal do Multigrip ficou preso na garganta e eu acho que se dissolveu por ali mesmo. Tomei água, café, chupei bala, mastiguei o fio do headset e o canalha não descia. O Tylenol me deu um calor desgraçado que só fazia aumentar a sensação de febre, além de causar um sono absurdo acompanhado da vontade inquietante de tomar sopa de mandioquinha. A Aspirina bateu no meu estômago - até então vazio - feito uma bomba de napalm e por muito pouco não pedi sugestões de remédios para azia, mas não queria confundir o ciclo de desventuras alopáticas que começava a se desenrolar ali. Morrendo de frio, calor, sono, fome e autismo auto-infligido, saí atrás de uma sopa. Não literalmente, claro, sopa não anda. Fui a quatro ou cinco lugares, entre restaurantes e mercadinhos, mas obviamente não encontrei sopa de mandioquinha e me contentei com aquelas sopas instantâneas de pacotinho que parecem caldo de ervilha e têm gosto de cebola, mas na verdade são de espinafre com queijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei o resto da tarde me comportando mais ou menos &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=txqiwrbYGrs"&gt;assim&lt;/a&gt; na frente do computador, fazendo um esforço descomunal para me fazer entender a cada vez que o telefone tocava e eu atendia com voz de Pato Donald dopado. Dormi em cima do casaco e fiquei com uma bela marca de zíper que descia pela bochecha esquerda até o queixo, babei em cima de documentos impressos a jato de tinta (o que dispensa maiores explicações) e causei vergonha alheia. Eu acho. Causei sim. Desculpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em casa, pra variar depois de tomar chuva, com vontade de comer omelete com bacon, apesar de desconfiar que não fosse uma boa idéia mexer com utensílios de cozinha naquele estado de apatia e lerdeza medicamentosa. A certeza veio quando fiquei mais de dois minutos encarando a geladeira aberta sem lembrar o que eu queria pegar nela. Por algum motivo pensei em sardas e no fato de não gostar delas e vi que os ovos tinham pintinhas - 'Ah, sim, ovos!' &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitei a sobriedade momentânea e peguei o bacon também.  Lavei os ovos, pois não confio na higiene pessoal das galinhas, embora a casca porosa aquela altura já tivesse deixado passar todo tipo de porcaria para o lado de dentro. Preparei tudo, acendi o fogo, coloquei a frigideira pra esquentar e fui buscar o azeite no armário. Na volta a Bullet, minha dona, me interceptou e começou a afiar as unhas no meu All Star. Achei tão bonitinho que fui me inclinando pra ver melhor, inclinando junto a garrafa que estava aberta e fez escorrer um fio de azeite, que eu naturalmente só notei quando já tinha emporcalhado o tênis, a Bullet e o piso da cozinha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu decidia qual dos três limparia primeiro, a frigideira - aquela esquecida no fogão - começou a soltar uma fumaça preta assustadora. Abri a torneira e enfiei a frigideira embaixo d’água, fazendo bem mais fumaça do que fazia antes da minha ajuda. Tentando fazer as coisas numa ordem mais sensata, fui quebrar os ovos para bater. Ou melhor, fui bater os ovos para quebrar. Bati na beirada da pia, mas calculei mal a força e aquela clara molenga escorreu pela minha mão, depois pela pia e pelo gabinete até chegar ao chão, onde fez uma poça que nem todas as toalhas de papel da China limpariam. Desisti de comer e fui fazer suco de maracujá, bem forte pra ver se ao menos dava sono. Consegui, mas cinco minutos depois, minha mãe grita lá da cozinha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Jooooooooooooice, o que o açucareiro tá fazendo no freezer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É. Eu QUASE consegui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-6100530326537070245?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/6100530326537070245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/03/why-is-this-happening-to-me.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/6100530326537070245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/6100530326537070245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/03/why-is-this-happening-to-me.html' title='Why is this happening to me?'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-1403081921151164267</id><published>2009-03-16T08:57:00.009-03:00</published><updated>2009-03-17T21:36:53.890-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='distúrbio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futilidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>Tenha um Puta Medo</title><content type='html'>A cabeça da gente é uma caixinha de surpresas né? Geralmente surpresas desagradáveis... Você está numa boa e de repente uma vírgula fora de lugar acaba com seu bom humor e te transforma numa megera indomada. O pior é trabalhar com suposições. E acredite: mulheres só trabalham com suposições. Tente explicar alguma coisa exata e cientificamente comprovada que a gente não só dá um jeito de romantizar tudo como ainda arranja encrenca com você por ter entendido errado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mente feminina tem a incrível capacidade de fazer tempestades em copo d’água. Esquece a água, dá um copo vazio que nos viramos muito bem. Inclusive, peço a atenção dos governadores dos estados do nordeste brasileiro: estão desperdiçando nosso potencial na luta contra a seca no sertão. Cinco mulheres na TPM, reunidas no mesmo ambiente, podem criar tempestades que abasteceriam os mananciais de trinta e cinco cidades de pequeno porte durante seis meses, segundo dados recentes divulgados pelo Instituto de Pesquisas Paranormais e Hidrográficas do Acre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há no mundo amizade mais leal e sincera que essa que existe entre nós e a tensão pré-menstrual. Ela funciona quase como uma amiga de carne e osso: diz que você está gorda, que seu cabelo está feio, que aquele vestido não te favoreceu e que o carinha de quem você gosta está saindo com outra melhor, mais bonita e modelo 2010. E ela te diz tudo isso numa segunda-feira de manhã, sem fazer uso de lubrificante emocional e sem nenhuma menção de pedir desculpas. Mas ela também oferece vantagens que nem o gerente gato da sua conta bancária tem. Ela incha teus peitos e recheia o teu decote (não que isso seja indolor, mas é extremamente válido), ela mantém as pessoas indesejáveis (nesse caso &lt;strong&gt;TODAS&lt;/strong&gt;) à distância, pois você fica tomada por um estado de desgraça tão aparente que ninguém em sã consciência se atreverá a te desafiar nesses dias. Ela justifica todos os xingamentos gratuitos, as discussões com o motorista do ônibus, as quatro barras de chocolate e o pacote de Nescau Ball na gaveta da sua escrivaninha. Ela te dá licença pra matar ou, pelo menos, para ameaçar de uma morte lenta e dolorosa o infeliz do seu parceiro que teve a discrepância de te perguntar, curioso diante do seu silêncio sepulcral e de sua expressão Pedro de Lara cover: &lt;em&gt;Tá tudo bem?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixem-me fazer uma observação baseada na minha experiência pessoal que pode ser de extrema valia para vocês, homens. ‘Tá tudo bem?’ é a pior pergunta que você pode dirigir a uma mulher irada. Ao invés de questionar a inofensiva mudez acompanhada da cara de bunda, deixe a infeliz em paz no canto dela, pois o próximo estágio da crise inclui grunhidos histéricos e o arremesso de itens decorativos de peso médio em sua direção. Quer ser gentil?  Apareça barbeado, perfumado, com flores e chocolates. Imprima algum poema pouco conhecido e reescreva, finja que é seu. Se ela não acha que você é um paspalho analfabeto, pode colar. Mas importante: mantenha o mutismo. De nada adianta você fazer tudo isso e emendar um ‘Tá tudo bem?’ logo em seguida. Você vai terminar arranhado, amassado e com gérberas vermelhas saindo pelo nariz.  Depois não diga que não avisei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa que notei no meu último relacionamento, além da tendência a fazer perguntas cretinas no período mais propício a demonstrações de violência explícita e gratuita, foi a &lt;strong&gt;TPM masculina&lt;/strong&gt;. Sim, ela existe. Os homens têm um senso tão grande de solidariedade para conosco que também ficam insuportáveis nesse período. É uma pena que esse senso de solidariedade seja inversamente proporcional ao amor que eles nutrem pela sua própria integridade física. Afinal, é sabido que não se deve provocar alguém que não consegue entrar num jeans tamanho 38 e que sofre de cólicas que a obrigam a passar o dia deitada em posição fetal, chorando por causa do reclame daquele seguro de saúde que mostra uma família feliz e bem sucedida fazendo piquenique no parque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;'E quando vocês não estão na TPM?', você se pergunta, já que não viramos monstros cascudos de seis braços e três metros de altura apenas uma vez por mês. Para esses momentos de mimimi inexplicável, que aparecem out of the blue e descontrolam sua vida, fodem os seus planos e fazem cair os seus cabelos, adotei o termo &lt;strong&gt;TPMicareta&lt;/strong&gt;, por razões óbvias. TPM, pois os sintomas são os mesmos, salvo a ausência de cólica e de peitos naturalmente turbinados. E micareta, pois assim como a festa cujo único objetivo é ajudar os foliões a molharem o biscoito depois de fevereiro, a TPMicareta também é fora de época. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às mulheres, só posso dizer que não há muito o que se fazer quando essa amostra grátis de inferno se apresenta. A não ser que você faça uso de calmantes, ansiolíticos, antidepressivos e remédios para dormir. Também recomendo que você ouça Nando Reis o dia todo, ele é o maior expoente da &lt;strong&gt;TPMpb&lt;/strong&gt; e vai fazê-la se sentir melhor (embora seja mais efetivo quando acompanhado de duas caixas de BIS). Entregue seu cartão de crédito para alguém de confiança e peça para que só devolvam quando você for pedir sem a baba escorrendo no canto esquerdo da boca. Ausente-se de todas as redes sociais e mensageiros instantâneos que você normalmente utiliza e chafurde com força no sofrimento causado pela TPMicareta, pois ela é real, é devastadora e ainda vai te pegar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-1403081921151164267?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/1403081921151164267/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/03/t-enha-um-p-uta-m-edo.html#comment-form' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/1403081921151164267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/1403081921151164267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/03/t-enha-um-p-uta-m-edo.html' title='&lt;strong&gt;T&lt;/strong&gt;enha um &lt;strong&gt;P&lt;/strong&gt;uta &lt;strong&gt;M&lt;/strong&gt;edo'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-551615251863149490</id><published>2009-03-12T00:17:00.002-03:00</published><updated>2009-03-12T00:32:55.179-03:00</updated><title type='text'>Neura</title><content type='html'>Quando me dei conta já estavam me expulsando: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Vamos fechar, Joice. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão pensando que isso aqui é o quê? Um bar, para irem me colocando pra fora assim quando acaba a noite? Se for desse jeito, vou cogitar beber no expediente. Mas não, o dia é que acabara, a noite estava apenas começando e eu nem me dei conta que era hora de ir embora. Eu precisava organizar minhas idéias e decidi ir caminhando até em casa, achei que uns vinte minutos de lua cheia e vento fresco fariam a mágica. Logo que pus os pés na rua vi que não tinha lua nenhuma e o ar estava parado, a caminhada seria escura, abafada e solitária, mas não desanimei. Não mais. Chega por hoje. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despedi-me de minha amiga e disse aquele &lt;em&gt;‘Qualquer coisa me liga’&lt;/em&gt; que significa &lt;em&gt;‘Não me procure nem se o mundo estiver em chamas e o inferno Dantesco se apresentar diante de seus olhos’&lt;/em&gt;. E fui por aí, sem meu violão debaixo do braço, afinal ele foi dado como perdido e trocado por outro mais legal e mais bonito. Mas sem personalidade. No meu violão empenado e descolado tem uma menina de quinze anos, emburrada, chegando em casa e se jogando na cama bagunçada, que estava sempre bagunçada, mas dessa vez também estava dura e desconfortável, talvez porque tivesse um violão escondido ali e a menina, que queria uma guitarra, se apaixonou por ele mesmo assim. Como em muitas outras paixões, eles não se entenderam por muito tempo, mas isso é assunto para outro post.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei num supermercado pra comprar algo para beber e covardemente não pensar tanto naquilo que incomodava. Ou pensar sim, mas com o discernimento anestesiado. Três garrafas de Erdinger, nunca antes vistas por estas bandas, brilharam na prateleira do alto pra chamar minha atenção. De novo a prateleira do alto. Mas essa eu alcanço. Aproveitei para comprar pistache, mas eles não são importantes. Olhei-me no espelho de uma pilastra e levei uns cinco segundos analisando o quadro. Caída, desanimada e com olheiras. Hoje minha aparência era sincera, eu não escondia nada atrás de sorrisos e piadas prontas. Saí, levando as garrafas e a certeza de que um dia terminaria me encaixando no padrão da família: alcoólatra ou diabética. Ou os dois ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente na rua, olhei pra cima só pra me certificar se iria mesmo sozinha para casa. E ela estava lá, grande, branca, imponente e nublada. Mas tudo bem, ninguém brilha todo dia e eu podia fingir que era o astigmatismo me cegando e não a neblina que apagava o seu contorno. Não teve ciúmes quando viu que eu tinha companhia pra mais tarde, ela entendia que era grande demais pra minha escrivaninha e tampouco cabia no freezer. E me pus a caminhar com ela, do mesmo jeito de quando eu era criança e achava que a lua e o sol andavam junto comigo, pois onde eu fosse eles iam também. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendi um cigarro e lembrei de Aerosmith - &lt;em&gt;as you take a hit off your last cigarette&lt;/em&gt;. Havia esquecido de comprar cigarros e já estava longe do lugar mais próximo. Na terceira curva, aquela onde um dia eu vi Raul Seixas entrar no mato e desaparecer, percebi que um cara vinha logo atrás de mim. Analisei os riscos quando notei que ele andava no mesmo passo, diminuindo ou apressando a velocidade de acordo com meu ritmo. Ele era bem maior que eu, como a maioria dos caras é e eu fiquei apreensiva. Pensei nas possibilidades: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1- Ele me assalta e foge. Não bom.&lt;br /&gt;2- Ele me assalta, me espanca e foge. Também, não bom.&lt;br /&gt;3- Ele me estupra, me espanca, me assalta, toma minha cerveja, mesmo quente, e foge. Nada bom.&lt;br /&gt;4- Eu calculo o peso das garrafas, bato nele, ele cai, eu o espanco, não assalto, mas fujo. Sem chance. Eu não vou quebrar minhas primeiras Erdingers em qualquer assaltantezinho de merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa um caminhão fazendo estardalhaço e o bandido pilantra me ultrapassa na calçada, pela esquerda. Percebo que ele leva uma sacola azul, de um açougue. Uma sacola azul grande, do tipo que um cara solteiro não leva pra casa. E ele até que tinha cara de pai de família, de bem, que tava levando algo para a esposa dele cozinhar. Achei graça de mim e deixei-o ir embora, sem precisar ameaçá-lo com cacos de vidro. Acho que a bandida era eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duas curvas depois fui atropelada por uma esperança. Ela era enorme, verde e passou por mim voando. Tentei me agarrar a ela, mas lembrei que o meio mais fácil de matar uma esperança é se agarrar a ela. Deixei que ela fosse embora, talvez ela estivesse correndo para alcançar o cara da sacola azul e ele podia estar precisando mais dela do que eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pastor gritava no microfone, do segundo andar de um sobrado, que Jesus sabia do que eu precisava. Ora, se eu não sabia, como ele que não me conhece poderia saber? Eu sei dele sim, o cara é bem relacionado, tá na mídia. Mas de mim, nunca se ouviu falar. E eu quis gritar pro cara do microfone que ele estava ensurdecendo meus pensamentos e que eu precisava lembrar, eu precisava lembrar de tudo quando chegasse em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não exatamente quando chegasse em casa, mas logo depois que ligasse a TV, assistisse o telejornal, abrisse o jornal impresso de hoje, do dia, O Dia, e lesse as tirinhas do Angeli, do Laerte e o horóscopo, aquele no qual eu não acredito, mas que dizia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;‘A tensão entre Lua e Plutão pode significar uma overdose de sensibilidade. A melhor coisa a fazer hoje é se recolher e pensar sobre o que está acontecendo com você. Não gaste muita energia com besteira, e principalmente, não se exponha a pessoas negativas. ’&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, se você é negativo, suma daqui ou amaldiçôo todos os seus descendentes. Se não é, pode continuar lendo. A tirinha do Angeli dizia algo sobre fazer música para acabar com a música, cinema para acabar com o cinema, teatro para acabar com o teatro e crianças para acabar com a raça humana. Eu achei que fazia todo o sentido, enquanto pensava num meio de ensinar ao meu possível futuro filho como utilizar três garrafas de cerveja em sua defesa pessoal.  A primeira lição seria: &lt;strong&gt;‘Compre cervejas vagabundas’&lt;/strong&gt;. E a segunda e última: &lt;strong&gt;‘Saiba reconhecer uma sacola de açougue antes de tomar qualquer atitude.’&lt;/strong&gt; A TV dizia que o cara que vivia com dois corações não havia resistido. Não o culpo, já é difícil demais administrar um, o que dizer de dois?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha bobó de camarão para jantar e eu pensei se valeria a pena ter pesadelos por causa dele. Seis milésimos de segundos depois, decidi que valia sim e jantei. Logo depois tomei um banho frio. Abri o registro do chuveiro todo, desliguei o aquecedor e deixei a água fria bater com força em mim. E lembrei dele e da cachoeira. Deles e das cachoeiras.  E do sujeito mais velho, frustrado com o casamento, que toma banho frio de madrugada pensando em outras. Peguei minhas cervejas, levei para o quarto e comecei a desabafar nessa tela branca que te olha com cara de &lt;strong&gt;‘E agora?’&lt;/strong&gt;. O resultado você lê acima. Ou leu acima, se você é dessas pessoas normais que começam pelo início...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-551615251863149490?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/551615251863149490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/03/neura.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/551615251863149490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/551615251863149490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/03/neura.html' title='Neura'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-4043488210724836078</id><published>2009-03-09T23:29:00.001-03:00</published><updated>2009-03-09T23:30:21.745-03:00</updated><title type='text'>Tédio...</title><content type='html'>Passo pálida e triste. Oiço dizer: &lt;br /&gt;“Que branca que ela é! Parece morta!”&lt;br /&gt;e eu que vou sonhando, vaga, absorta,&lt;br /&gt;não tenho um gesto, ou um olhar sequer… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que diga o mundo e a gente o que quiser!&lt;br /&gt;– O que é que isso me faz? O que me importa?&lt;br /&gt;O frio que trago dentro gela e corta&lt;br /&gt;Tudo que é sonho e graça na mulher! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é que me importa?! Essa tristeza&lt;br /&gt;É menos dor intensa que frieza,&lt;br /&gt;É um tédio profundo de viver! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é tudo sempre o mesmo, eternamente …&lt;br /&gt;O mesmo lago plácido, dormente …&lt;br /&gt;E os dias, sempre os mesmos, a correr …&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Florbela Espanca&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-4043488210724836078?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/4043488210724836078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/03/tedio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/4043488210724836078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/4043488210724836078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/03/tedio.html' title='Tédio...'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-7264718502028425399</id><published>2009-03-03T01:05:00.004-03:00</published><updated>2009-03-03T01:22:58.103-03:00</updated><title type='text'>Ganhando cicatrizes: parte II</title><content type='html'>Quando o ferimento estava parcialmente limpo, pediram para eu me deitar novamente, pois precisavam me fazer umas perguntas. Entraram na sala um PM, precedido por seu bigode absurdo e outra enfermeira, que para meu azar, não era nada sexy. Eles deviam estar brincando de algum jogo e não me avisaram, pois ambos falavam ao mesmo tempo, dirigindo-se a mim, enquanto ignoravam solenemente a presença um do outro. Como eu não conseguia me concentrar nas perguntas, minha mente começou a dar voltas e criar teorias que explicassem aquela situação e a que fez mais sentido foi: Eles tiveram um affair no passado e ela terminou com ele, pois ele passava mais tempo cuidando dos pêlos faciais do que fantasiando com ela vestida de branco, aplicando uma injeção enorme no traseiro militar dele. Deixando de lado os devaneios moribundos de uma mente entorpecida, as perguntas eram do seguinte naipe:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Qual o telefone da sua casa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Você bebeu durante o show? Fez uso de alguma substância entorpecente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Qual o nome da sua mãe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Preciso do seu RG, está com ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ É alérgica a algum medicamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Aquele ali fora é seu namorado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A enfermeira devia ser fã de reality shows e programas sensacionalistas de fofoca, pois estava muito interessada na minha vida pessoal, enquanto o policial claramente tentava me convencer de que a culpa fora minha e das oito substâncias ilícitas que ingeri misturadas ao álcool minutos antes. Mentira, eu só tinha tomado uma cerveja. Uma mísera cerveja. Um suquinho de cevada. Aguada, diga-se de passagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo que convenci o PM que não era uma trombadinha viciada perdida na noite suja, ele confessou que na verdade quem estava bêbado era o motorista que me atingiu e que aquelas eram perguntas de rotina. Depois de me acertar, o carro do senhor Flávio Paixão bateu num poste, ou telefone público ou lixeira (não me recordo) e ficou imprestável, obrigando o cretino a fugir a pé, sendo alcançado logo em seguida pela polícia. O que foi inútil, pois ele tinha as costas quentes e eu... Bem, eu só tenho costas tensas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ínterim, a enfermeira com complexo de Sônia Abraão já havia ligado para minha mal dormida mãe, que estava a caminho do hospital, transtornada e de pijamas, acompanhada do meu pai, que eu prefiro nem questionar o que estava pensando. Porém, antes que eles pudessem chegar, o médico que me atenderia adentrou o recinto, falando para quem quisesse ouvir:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Caraca! Vi um acidente ali na Sete de Abril que deve ter tido vítima fatal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fatal, para mim, é o sujeito que vai me costurar entrar na sala de emergência rebolando e gritando &lt;strong&gt;‘Caraca!’&lt;/strong&gt;, mas mesmo assim quis aproveitar a deixa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Tô aqui! Mais viva do que nunca, mas precisando de reparos.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Eu ainda não estava sentindo dor. Aliás, o mais legal de tudo foi isso: não senti dor proveniente da laceração no braço. A única coisa que me doeu foi o hematoma de quarenta centímetros na coxa esquerda, que fui notar no dia seguinte, já &lt;s&gt;confortavelmente&lt;/s&gt; instalada no hospital, enquanto uma completa estranha, atarracada e de mãos enormes e pesadas, me dava banho. Aliás, não desejo isso pra ninguém. Talvez pro canalha que me atropelou, apenas. A coisa mais invasiva do mundo é ter uma enfermeira, parecida com o Nelson Ned de peruca loira, esfregando a mesma bundinha onde sua mãe passou talco.  Mas voltemos à sala de emergência, que a parte boa está por vir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apresentações feitas, o Dr. Marcelo pediu à enfermeira, a ex do Bigode, aquela que não era gostosa, para me aplicar a anestesia. Ah, sim, então ela não era apenas enfermeira, era anestesista. Aposto que servia café também. Coincidência ou não, a primeira não pegou. Nem a segunda. Na terceira eu já estava rezando para todos os deuses hindus que não permitissem que eu passasse pela experiência de ser costurada a seco. Mas os deuses hindus deviam estar cuidando de alguma &lt;s&gt;outra&lt;/s&gt; vaca, e os primeiros pontos foram dados sem anestesia mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começaram costurando o que estava solto por dentro, com aquela linha cirúrgica transparente que teoricamente se dissolveria com o tempo. Teoricamente, pois algumas semanas depois meu braço começou a expelir pedaços dos pontos internos e eles não pareciam muito ‘dissolvidos’. Uma artéria havia se rompido e o sangue, tímido a princípio, agora jorrava efusivamente, feito um gêiser de xarope de groselha que ficara feliz em ver o doutor Marcelo. Artéria consertada, chegou a hora de esticar a pele de modo que cobrisse tudo. Agradeci pela anestesia, primeiro por ter funcionado, finalmente. E segundo por ter sido local, me proporcionando a chance de assistir tudo aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi um pouco de tecido próximo ao punho e eles não conseguiam fechar. O médico sugeriu um enxerto. Espera aí. Eu já não estava detonada o bastante não? Queriam tirar mais um pedaço, é isso? Da bunda? Não, não, estica isso daí! Puxa daqui, costura dali, conseguiram fechar. Tudo bem, necrosou duas semanas depois, mas ao menos a retaguarda estava intacta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serviço feito (mal e parcamente, pois não havia um cirurgião plástico para auxiliar o pobre plantonista), eles precisavam checar os possíveis danos internos. Quando foram me transferir para a outra maca, a enfermeira notou uma bolha próxima ao cotovelo. Fecharam o caminho do sangue e ele queria sair para brincar de qualquer jeito. Precisaram espremer meu braço pra tirar o excesso. Imaginem uma grapefuit suculenta num Juicer Walita. Isso mesmo. O passo seguinte foi fazer um curativo bem apertado e fingir que aquilo não estava acontecendo. Eu só conseguia pensar que meu braço ia apodrecer e cair e eu nunca mais ia conseguir tocar violão. Não que eu consiga. Não mesmo, nem um pouco... Na sala de radiografias recomeça a pentelhação: vira de um lado, vira do outro e  mais perguntas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Joice, na hora do impacto, você bateu com a cabeça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já ia respondendo a verdade: &lt;em&gt;‘Não lembro’&lt;/em&gt;, mas me toquei a tempo que o ‘não lembro’ automaticamente indicaria que bati com a cabeça, sim. Como já estava enjoada de ser espetada, cutucada, virada feito um frango de padaria e Deus, eu tinha fome e sono, respondi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Não, só bati com a coxa, mas já radiografaram ela. Quebrei nada não. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Minha sagacidade assinou a carta de alforria. Fui transferida pra um quarto confortável, com janelas grandes, TV, lençóis engomados e aquela sopa insossa de frango seguida de gelatina como sobremesa, refeição que me pareceu deliciosa diante da minha fome e cansaço. Dormi até o dia seguinte, mas tive um pesadelo horrível, onde o Nelson Ned, usando uma peruca loira, me obrigava a tomar banho com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Epílogo?&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brincadeiras envolvendo anões musicais (?) à parte, passaram-se quase nove anos desde o acidente. Meu braço está ótimo, funciona perfeitamente (de vez em quando dá uns choques na parte que necrosou, mas nada demais) e a cicatriz ficou linda, se comparada ao que eu imaginava que ia ficar. Acabaram fechando o ferimento com dois cacos de vidro dentro. Um deles era pontudo e cortante e saiu naturalmente, quando meti o braço na parede, em casa, brincando com minhas irmãs se não me engano. O outro está aqui até hoje, não faço questão de tirar, pois não incomoda em nada.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O hematoma na coxa demorou mais de um mês para desaparecer e acompanhei as fases dele: preto, marrom, roxo, azul esverdeado e finalmente amarelo, até sumir. Esse sim doía um bocado. Minha mãe não me xingou nem tentou me matar, mas passei alguns meses sob severas restrições para sair de casa. Perdi o primeiro mês letivo em virtude do acidente e aproveitei para matar bastante aula, já que ficariam com dó de me reprovar por falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Joey Ramone? Bem, ele não sofreu nada grave, foi medicado e liberado. Me visitou algumas vezes no hospital, visivelmente envergonhado por ter se comportado feito uma velha esquizofrênica. Ficamos juntos por mais algum tempo, mas hoje não nos falamos mais. Sem ressentimentos, estou acostumada a ser o macho da relação desde que descobri que meninos não servem apenas como parceiros de bolinha de gude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu digo que foi divertido, me chamam de louca. Mas sabem de uma coisa? Eu não morri, dei um bocado de risada da minha desgraça e ainda tenho história pra contar pros sobrinhos. O saldo não foi tão negativo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o próximo então! Post, não acidente...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-7264718502028425399?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/7264718502028425399/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/03/ganhando-cicatrizes-parte-ii.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/7264718502028425399'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/7264718502028425399'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/03/ganhando-cicatrizes-parte-ii.html' title='Ganhando cicatrizes: parte II'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-5817297621990696946</id><published>2009-03-02T12:29:00.003-03:00</published><updated>2009-03-02T12:41:42.981-03:00</updated><title type='text'>Let's talk about love II</title><content type='html'>Apenas complementando o post que roubei do &lt;a href="http://www.fantasticafabricadebarulho.blogspot.com/"&gt;blog do Fernando Tucori &lt;/a&gt;com este monólogo final da música Vênus, do Paulinho Moska. Se ele não tivesse escrito isso, eu o teria feito. Ou ao menos tentado. Mesmo se, após reler tudo, achasse brega até o fim do mundo. Tem dias em que é piegas e tem dias em que é verdade absoluta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não falo do amor romântico,&lt;br /&gt;Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.&lt;br /&gt;Relações de dependência e submissão, paixões tristes.&lt;br /&gt;Algumas pessoas confundem isso com amor.&lt;br /&gt;Chamam de amor esse querer escravo,&lt;br /&gt;E pensam que o amor é alguma coisa&lt;br /&gt;Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.&lt;br /&gt;Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,&lt;br /&gt;Antes de ser experimentado.&lt;br /&gt;Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.&lt;br /&gt;A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.&lt;br /&gt;O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.&lt;br /&gt;O amor é um móbile.&lt;br /&gt;Como fotografá-lo?&lt;br /&gt;Como percebê-lo?&lt;br /&gt;Como se deixar sê-lo?&lt;br /&gt;E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?&lt;br /&gt;Minha resposta? O amor é o desconhecido.&lt;br /&gt;Mesmo depois de uma vida inteira de amores,&lt;br /&gt;O amor será sempre o desconhecido,&lt;br /&gt;A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.&lt;br /&gt;A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.&lt;br /&gt;O amor quer ser interferido, quer ser violado,&lt;br /&gt;Quer ser transformado a cada instante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida do amor depende dessa interferência.&lt;br /&gt;A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,&lt;br /&gt;Decidimos caminhar pela estrada reta.&lt;br /&gt;Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,&lt;br /&gt;E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.&lt;br /&gt;Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor não é orgânico.&lt;br /&gt;Não é meu coração que sente o amor.&lt;br /&gt;É a minha alma que o saboreia.&lt;br /&gt;Não é no meu sangue que ele ferve.&lt;br /&gt;O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.&lt;br /&gt;Sua força se mistura com a minha&lt;br /&gt;E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu&lt;br /&gt;Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.&lt;br /&gt;O amor brilha.&lt;br /&gt;Como uma aurora colorida e misteriosa,&lt;br /&gt;Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,&lt;br /&gt;O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.&lt;br /&gt;Nós dançamos sua felicidade em delírio&lt;br /&gt;Porque somos o alimento preferido do amor,&lt;br /&gt;Se estivermos também a devorá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor, eu não conheço.&lt;br /&gt;E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,&lt;br /&gt;Me aventurando ao seu encontro.&lt;br /&gt;A vida só existe quando o amor a navega.&lt;br /&gt;Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.&lt;br /&gt;Ou melhor, só se vive no amor.&lt;br /&gt;E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repararam como estou sempre dividindo as coisas em partes? Será que tenho tendência a me tornar uma esquartejadora? Ou pior, diretora de cinema?!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-5817297621990696946?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/5817297621990696946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/03/lets-talk-about-love-ii.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/5817297621990696946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/5817297621990696946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/03/lets-talk-about-love-ii.html' title='Let&apos;s talk about love II'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-2416307293062334651</id><published>2009-03-01T23:59:00.006-03:00</published><updated>2009-03-02T02:37:06.546-03:00</updated><title type='text'>Ganhando cicatrizes.</title><content type='html'>Após um show de new metal que foi uma desgraça completa, eu e o cover de Joey Ramone que era meu namorado na época decidimos tomar o rumo de casa. Eram quatro e quinze da madrugada do dia oito de março de dois mil e um. Ou 04h15min de 08/03/2001 se preferirem assim.  A madrugada estava agradável, como costumam ser as madrugadas de março, e seguíamos pela Rua Sete de Abril, com suas calçadas estreitas e aquela curva fechada que os motoristas sempre fazem com intenção de não fazer. E geralmente acima dos 60 km/h, o que é uma péssima idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguíamos de mãos dadas, falando mal da banda,  quando senti o baque. Ou será que ouvi o estrondo antes?  Agora, tentando lembrar de cada detalhe, não tenho certeza do que percebi primeiro. Quando uma coisa assim acontece acho que nossa percepção de tempo e espaço fica meio descontrolada, ainda que por poucos instantes. O choque forte na coxa esquerda e o vôo estão nítidos na memória. Sim, eu voei. Naqueles centésimos de segundos deu tempo de pensar &lt;em&gt;‘Fodeu, minha mãe vai me matar, caso eu não morra aqui’&lt;/em&gt;. Aterrissei dentro de um táxi que estava estacionado na calçada logo à frente, quebrando o vidro traseiro dele com meu braço esquerdo. Caí em posição fetal, encaixada entre o banco de trás e o que restou do vidro. Devo ter apagado por poucos segundos, pois quando recobrei os sentidos e saí do carro pelo mesmo buraco que fiz ao entrar, o taxista ainda me olhava incrédulo, se perguntando de onde eu teria vindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira providência que tomei foi procurar pelo Bruno, vulgo Joey Ramone cover, para ver em que estado ele se encontrava. Por sorte, &lt;s&gt;mais dele do que minha&lt;/s&gt; não era o Acre. Percebi que ele estava sentado na calçada, descalço e meio desorientado, mas parecia bem. Eu não sentia nenhuma dor e deduzi que também estava inteira. Logo algumas pessoas começaram a chegar para verificar o que tinha ocorrido, trazendo meus sapatos e as coisas que estavam na minha bolsa e voaram longe. Um cara ligava para o 192 pedindo uma ambulância. Por pouco não arranquei o celular da mão dele. Eram quase cinco da manhã e eu precisava chegar em casa, minha mãe não dormiria enquanto eu não estivesse lá. Eu só pensava em limpar os cacos de vidro, deixar aquela bagunça se resolver sozinha e ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi então que percebi que o segurança da boate onde tinha rolado o show estava cochichando com outro sujeito e apontando para o meu braço, discretamente, como se não quisesse que eu percebesse. Fui checar o motivo da cara de espanto dele e vi que estava com o antebraço arregaçado até o cotovelo, na parte interna. Sabe quando você está com calor e arregaça a manga da sua camisa? Então, bem por aí. Eu lembrei inevitavelmente das figuras nos livros de biologia da professora Christina. Aquele osso branquinho aparecendo em meio à confusão de coisas nojentas que eu não sabia identificar e gordura. Aliás, que abundância de gordura pra um braço tão fino...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando caiu a ficha pensei novamente na minha mãe, que devia estar louca pra dormir e percebi, com pesar, que aquela manhã seria longa, na mais otimista das hipóteses. O segurança tirou a camiseta e me entregou para eu enrolar no braço e estancar o sangue. Sangue? Até então não tinha sangue nenhum, acho que o susto foi tão grande que ele sumiu. O braço estava estragado sim, porém limpo. Aproveitei que ainda não estava parecendo cena de filme B dos anos oitenta e coloquei a pele de volta no lugar, estiquei, ajeitei e enrolei a camiseta, bem apertada, em volta do antebraço. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haviam se passado uns três ou quatro minutos, no máximo, entre descer do táxi e sentar no meio fio para esperar a ambulância. O Bruno, sentado ao meu lado, continuava desorientado, o que não era nenhuma surpresa, pois ele o era no dia a dia também. Percebi a umidade através da camiseta e fiquei mais tranqüila: sim, eu ainda tinha sangue. E pelo visto ele estava saindo todo de uma vez através do corte. Os curiosos já se acotovelavam ao nosso redor e uma profusão de vozes estranhas fazia aquelas perguntas estúpidas que sempre fazem nessas horas, como aqueles repórteres imbecis perguntando para a menina de doze anos que perdeu a família inteira num desabamento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;_ Como você está se sentindo?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quis sugerir a todos que fossem visitar suas progenitoras, mas tinha outras coisas para me preocupar como, por exemplo, o playboy folgado que teimava em tirar os cacos de vidro do meu cabelo, da minha bolsa, de dentro da minha blusa... Ou ainda o Bruno, que continuava contabilizando suas poucas escoriações enquanto repetia num mantra interminável que ia ficar paraplégico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ambulância chegou e eu achei ótimo poder me deitar lá dentro e deixar aquele burburinho todo para trás. Entrei na emergência do hospital na horizontal, me divertindo horrores com as luzes que passavam ligeiras no teto do corredor. Ao chegar na sala onde seria atendida, a enfermeira foi logo removendo a camiseta, agora encharcada de sangue, para poder fazer a ‘assepsia do local’, como ela mesma disse. Entenda por ‘assepsia’ enfiar meu braço embaixo de uma torneira com água fria para tentar remover o máximo de cacos de vidro que fosse possível.  A água gelada correndo por dentro do ferimento e a careta da enfermeira me trouxeram de volta à realidade e eu tive certeza que aquilo ia demorar bem mais do que eu gostaria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-2416307293062334651?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/2416307293062334651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/03/ganhando-cicatrizes.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/2416307293062334651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/2416307293062334651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/03/ganhando-cicatrizes.html' title='Ganhando cicatrizes.'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-7841791203934535873</id><published>2009-02-21T18:38:00.003-03:00</published><updated>2009-02-21T19:13:05.846-03:00</updated><title type='text'>Let's talk about love I</title><content type='html'>Se você quer aprender a amar, esqueça. &lt;br /&gt;Faz como quem põe leite pra ferver e sabe que o leite só ferve quando você não está olhando. Faça como aquele personagem do filme "Mistery Men", o Garoto Invisível, que só fica invisível quando ninguém está olhando. &lt;br /&gt;Amar, caramada, acontece. &lt;br /&gt;Como aconteceu esse erro de digitação: ia escrever "camarada" e escrevi "caramada". &lt;br /&gt;Acontece.&lt;br /&gt;E acontece, geralmente, quando você não está olhando, porque quem está olhando está pensando e quem está pensando não enxerga. &lt;br /&gt;Amar não é pensar. "Tente racionalizar o amor e perderá a razão", diz um ditado francês e, segundo dizem, franceses entendem de amor, mas eu não entendo o bastante de franceses para confirmar.&lt;br /&gt;O amor é o Mestre dos Magos da vida. &lt;br /&gt;Quando você está distraído o bastante, ele aparece, resolve todos os seus problemas com a maior facilidade e fica invisível sem se explicar. &lt;br /&gt;Não tente explicar. &lt;br /&gt;Não tente definir. &lt;br /&gt;Definir é matar. O amor sugere, porque sugerir é criar. &lt;br /&gt;Se você quer aprender a amar, esqueça. &lt;br /&gt;Esqueça o amor que circula nas ruas, estampado em outdoors, gritando em campanhas publicitárias e esqueça esse amor que foi dissecado pelas ciências - pelas ciências, meu Deus, pelas ciências!! - embalado com perfumes caros, estampados em roupas de grife, com reservas em restaurantes chiques e com certificado ISO-9002.&lt;br /&gt;Esqueça tudo isso e lembre-se: amar, assim como a arte, é absolutamente inútil. &lt;br /&gt;Na última coluna, falei sobre revolução e, agora percebo, falava sobre o amor. &lt;br /&gt;Teve gente que comentou comigo: "esquece... não existe revolução".&lt;br /&gt;Depois de digerir a resposta por horas, ponderei: que pena que não existe revolução para você.&lt;br /&gt;Quem não acredita na possibilidade de revolução, não acredita na possibilidade de amar, porque amar é, justamente, a verdadeira revolução. Uma revolução que é tua. É como se você mudasse a casa da sua alma. Você pega tudo que dava como seguro, certo e correto e troca - sem garantia nenhuma de retorno - pelo inseguro, pelo incerto e pela dúvida. &lt;br /&gt;Em "Me Liga", dos Paralamas, Herbert Vianna canta "teu exército invadiu o meu país".&lt;br /&gt;É isso que acontece.&lt;br /&gt;Imagine um exército invadindo um país. Agora, imagine que esse exército é bem vindo. Agora, imagine que os exércitos deixem de existir e os dois países se unam em um só, admitindo que são dois, mas dividindo comida, dividindo cultura, todos os seus hábitos, interpenetrando suas almas e inteligências. &lt;br /&gt;Imagine que eles nunca se perguntam se a vida não era melhor antes da invasão. &lt;br /&gt;Se perguntam, não respondem. &lt;br /&gt;Se respondem, não entendem a resposta e essa resposta permanece como uma dúvida eterna, um post-it amarelinho lembrando você de que tudo - absolutamente tudo - é uma dúvida eterna que encontra em sua insolubilidade sua suprema graça.&lt;br /&gt;Não pense.&lt;br /&gt;Se você pensar demais, vai acabar encontrando um bilhão de motivos pra não amar. &lt;br /&gt;Se você não pensar - porque o único motivo para amar não pensa - se você apenas disser "e se eu querê?"... Esta lá a flor - a mais linda flor do mundo - cravada na beira de um abismo aterrador. Você vai lá e colhe a flor e alguém te diz "e o abismo?" e você responde "que abismo?". &lt;br /&gt;Em um mundo de dominados e dominadores, fica meio inconsistente qualquer defesa à entrega. É preciso que haja entrega, que não haja comando nem autoridade. &lt;br /&gt;Entregar o que pra quem? Por quê? &lt;br /&gt;Não sei. &lt;br /&gt;Esta é a resposta: Eu não sei. &lt;br /&gt;A única coisa que eu sei dizer é que existe a possibilidade de você dar tudo que tem e ficar com mais do que já tinha, mas isso é uma coisa que só vale se você responder pra você. A minha resposta vale tanto quanto um bilhete numa garrafa trazida pela maré. &lt;br /&gt;Sei que é duro convencer alguém de que a vida pode ser melhor com uma coisa se, sem ela, a vida vai continuar a mesma. É igual em Matrix, quando Morpheus oferece a Neo a opção de decidir entre a pílula azul e a pílula vermelha. "Você toma a azul e acorda na sua cama, acreditando no que quiser acreditar. Você toma a pílula vermelha, permanece no País das Maravilhas e a gente vai ver até onde vai o buraco do coelho". Antes disso, ele lembra: "É um caminho sem volta".&lt;br /&gt;Não dá pra defender o amor. Mesmo porque, depois de consumado, ele ainda é inseguro, ele ainda é inconstante e ele ainda pode ser doloroso. &lt;br /&gt;Amar dói, sim, porque é um compromisso que você assume com o seu próprio crescimento. Você admite que não vai mais inventar um personagem para você mesmo, que não vai mais aceitar invenções sobre quem você é. Você cansa disso porque tantos anos se passaram e... quem é que te conhece de verdade? Então, caem todas as máscaras e, no amor, fica sua verdadeira face humana, com todos os defeitos e qualidades, no mesmo pacote, em constante movimento.&lt;br /&gt;Se por um lado, há a dor de descobrir quem você não é, existe, do outro, a alegria de descobrir coisas novas sobre você o tempo todo e em velocidade espantosa. Só espero que, na hora que a dor se mostrar, você lembre que ela é parte ainda do que te faz forte. &lt;br /&gt;O que eu sei sobre amar é isso: nada. &lt;br /&gt;Sei que, as vezes, a gente não entende o amor e que isso é plenamente aceitável. &lt;br /&gt;Quando a gente começou a aprender os fundamentos da matemática, a gente não aprendeu que existe o "Pi"? A gente não aprendeu que "Pi" - arredondando - é igual a 3,14? &lt;br /&gt;Por que é tão fácil pra gente aceitar que existe um "Pi" e tão difícil reconhecer que existe outra coisa que também é natural, irracional, inconstante e infinita?&lt;br /&gt;Acho que é porque o "Pi" a gente pode arredondar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota final: Se você é um daqueles que gosta de coisas exatas, clique &lt;a href="http://www.joyofpi.com/pi.html"&gt;aqui&lt;/a&gt; e confira os incríveis dez mil primeiros dígitos do "Pi".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Postagem original &lt;a href="http://fantasticafabricadebarulho.blogspot.com/2008/05/falando-de-amor-com-fernando-tucori.html"&gt;AQUI&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-7841791203934535873?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/7841791203934535873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/02/lets-talk-about-love-i.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/7841791203934535873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/7841791203934535873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/02/lets-talk-about-love-i.html' title='Let&apos;s talk about love I'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-1804351392640810595</id><published>2009-02-19T00:57:00.003-03:00</published><updated>2009-02-19T01:05:47.873-03:00</updated><title type='text'>Por onde eles andaram?</title><content type='html'>Era uma daquelas festas normais, de vizinhos normais, comemorando o casamento da filha do amigo de alguém, no final do ano de 1989. Ela, uma menina normal de seis anos, que odiava com todas as forças do mundo estar naquele vestido de cetim azul. Numa criança de cabelos loiros cacheados teria ficado angelical, mas em contraste com seus cabelos pretos e os joelhos e cotovelos injuriados que ela ostentava quase com orgulho, era apenas um vestido sem propósito. Não se chamava Sofia, mas viria a descobrir, anos depois, que era bom ser Sofia às vezes, para se esquecer por um minuto das mazelas do mundo. Aqui, se chamará ‘Ela’, uma mulherzinha, não no sentido pejorativo da palavra (uma vez que Ela não sabia o significado de tal palavra), mas sim no sentido de diminuta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua mãe, com filha pequena em casa e outra por vir, preferiu declinar do convite para a festa, prometendo aos vizinhos normais que enviaria seu marido na companhia d’Ela, sua primogênita, para representar a família. Ela já previa uma noite de tédio, na inocência de seus seis anos, onde teria de se entreter ora roubando guloseimas da beirada da mesa, ora tropeçando nas barras dos vestidos, igualmente incômodos e feios, das outras mulheres na festa. &lt;br /&gt;Já ia saindo, correndo atrás do pai que se afastava, quando sua mãe a segurou e disse, com a mão pousada suavemente em seu ombro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Vai. E toma conta do teu pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela já sabia o que sua mãe queria dizer. Seu pai era um daqueles pais que deveriam ter sido meninos por mais tempo. Vez ou outra aprontava alguma traquinagem de adultos que Ela também não sabia o que significavam, mas sabia sim que deixavam os olhos azuis de sua mãe de um jeito esquisito, parecendo céu nublado. E Ela não gostava de vê-los assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegando à festa, sua desconfiança se confirmou: nenhuma criança, nenhum brinquedo, nenhum jogo. Apenas adultos que falavam e bebiam sem parar. Música ruim, sem voz. Nada que Ela conhecesse das fitas K-7 ou LPs que eram ouvidos em casa. Sem muita esperança de diversão, aceitou um copo de refrigerante e sentou-se num canto, pondo-se a observar seu pai, que ia ligeiro de grupo em grupo, trocava meia dúzia de palavras entremeadas por sorrisos vazios e voltava a procurar um dos adultos com bandejas cheias de copos bonitos, diferentes daquele que haviam lhe entregado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando aquela mulher chegou. Aquela mulher grande, maior que sua mãe, metida num vestido azul de cetim, como o d’Ela. Com olhos de lince que não pertenciam a uma menina daquela idade, Ela acompanhou os passos da mulher cruzando o salão, serpenteante naquela veste justa, em direção ao seu pai. Prendeu a respiração quando percebeu que eles estavam mais próximos do que deveriam estar dois adultos estranhos. A música havia ganhado voz e ecoava alta pelo salão, tirando dela a concentração necessária para entender o que viria em seguida: as mãos de seu pai em volta da cintura da mulher, que agora desenhava círculos pelo salão, embalada por ele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela levantou-se, ignorando o refrigerante que acabara de derramar no piso, ensopando seus sapatos baixos. Apertou as mãozinhas que jaziam inertes paralelas ao corpo e estava decidida a fazer algo para acabar com aquilo, ainda que sem saber exatamente como. &lt;br /&gt;Nesse momento avistou um garoto do outro lado do salão. Um adulto em miniatura, nem tão pequeno quanto ela, nem tão grande quanto os demais. Era a primeira vez que via tal menino por aquelas bandas e não sabia qual era seu nome. Resolveu chamá-lo de ‘Ele’, já que na ocasião o nome não importava. Um nome podia ser qualquer um, podia até ser um nome &lt;s&gt;bonito&lt;/s&gt; de pugilista, mas Ele bastaria. &lt;br /&gt;O menino de 16 anos não estava vestido como os demais e nem pertencia àquele lugar, mas viera de longe para ensiná-la como utilizar um garfo naquela situação. A menina teve a impressão de que o tempo parou, juntamente com a música frenética, quando Ele olhou para o garfo, para o casal e de volta para ela. Num estalo, Ela entendeu o que tinha de ser feito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou todo o impulso que a extensão do salão permitiu e pôs-se em disparada, avançando em fúria silenciosa contra o casal formado pela mulher de azul e pelo único homem no mundo que nunca deveria ter tocado naquela cintura. Tentaram detê-la pelo caminho, mas era tarde, Ela transformara-se num borrão de cetim celeste e fluía através de qualquer barreira. Ela tinha o fim. Ele tinha os meios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-1804351392640810595?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/1804351392640810595/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/02/por-onde-eles-andaram.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/1804351392640810595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/1804351392640810595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/02/por-onde-eles-andaram.html' title='Por onde eles andaram?'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-7276611494971344193</id><published>2009-02-16T21:59:00.005-03:00</published><updated>2009-02-16T23:39:37.843-03:00</updated><title type='text'>Ah, as crianças!</title><content type='html'>Pude sair mais cedo do trabalho hoje. De tanto reclamar que não gostava de ficar sozinha na empresa, que lá é escuro, frio, que os canos estalam e o elevador faz uns barulhos nefastos, eis que me deixaram partir com o resto da manada. Isso me deu umas duas horas a mais de sol. Como sol em Petrópolis é algo raro, que deve ser aproveitado sempre que se tem a oportunidade, decidi ir a pé para casa. Nada muito radical, coisa de 20 minutos, moleza para o All star verde exército.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo caminho eu observava as crianças que estudam no turno da tarde fazendo bagunça e me lembrava de quando eu tinha a idade delas. Ou antes. E um pouco depois também. Ok, bem depois. Segundo me consta (e minha mãe me conta) eu fui o capeta em forma de guria desde o momento em que consegui parar sentada sozinha até meu primeiro dia de trabalho. Isso compreende mais ou menos uns 19 anos de inferno astral na vida dos meus pais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou primogênita de um casal que não conseguia ter filhos, mas que tentou de todo jeito, com todos os esforços que eram permitidos pela medicina há 25 anos atrás. Quando conseguiram, a encrenca que deveria ter sido dividida em partes iguais entre três filhos veio toda de uma vez só. Começaram a perceber que tinha algo errado logo que eu parei de mamar e comecei a comer aquelas papinhas nojentas que parecem patê de virilha de dromedário defumado. Quando me davam na boca, eu acumulava tudo nas bochechas (utilizando estratégia que mais tarde descobri pertencer aos hamsters) e cuspia na cara do infeliz mais próximo, geralmente minha avó ou a babá. Aliás, eu chamo de ‘babá’ genericamente, pois não tive chance de pegar intimidade com nenhuma das cinco moças que pediram arrego nas duas primeiras semanas de trabalho. Quando desistiram de bancar o aviãozinho, que eu chamaria de Enola gay, devido à carga que trazia, aprendi a usar o prato e a colherzinha. Aliás, que invenção incrível a colherzinha. Na medida pra usar de catapulta e arremessar a comida a longas distâncias. Eu estava crescendo. E aprimorando minhas técnicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pracinha no domingo era uma guerra suja e injusta. A pobre da minha mãe, um pouco deslumbrada com a idéia de ter uma filha, me vestia de princesa da Disney para ir brincar. Como meus argumentos na época não eram muito fortes, fazia o possível para demonstrar em atos que aquilo não era nada confortável.  Logo que me desvencilhava das mãos maternas, corria pro canteiro de areia que ficava embaixo do escorregador, onde as crianças maiores, aquelas que tinham colhões para ficar lá em cima na casinha, jogavam todo tipo de coisa melosa, babada e imunda: palitos de picolé, restos de algodão doce, chicletes mascados, pipoca mole e caca de bodinho. Se depois de chafurdar naquela terra de ninguém eu ainda achasse que estava limpa o bastante para minha mãe ter coragem de encostar em mim, era a deixa pra pedir¹ uma maçã do amor e esfregá-la no cabelo e no vestido, tão logo a casquinha estivesse devidamente amolecida por baba. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;¹&lt;strong&gt;Pedir&lt;/strong&gt;, do latim espernear: solicitar veementemente, utilizando-se de táticas de chantagem emocional, tais como se atirar ao chão e bater com a cabeça para chamar atenção dos passantes.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me também da minha indiscrição, que causava enorme embaraço aos meus pais, como na vez em que persegui uma senhora amputada dentro de um mercado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Cadê sua perna? - Perguntei com a cara mais lavada do mundo.&lt;br /&gt;_ Eu perdi, minha filha. &lt;br /&gt;_ E por que não procura?! - Eu não me conformava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou então quando me enfiei embaixo do vestido de uma vovó simpática, de seus 70 anos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_ Nossa! Seus peitos caíram aí, olha! - Eu disse, enquanto buzinava na velhinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe se habituou a me esconder atrás dela quando passava alguém com alguma particularidade física, por menor que fosse. Eu não fazia por mal, só era curiosa demais e não tinha meios de sanar minhas dúvidas, senão com pesquisa de campo.&lt;br /&gt;Se fosse citar todas as confusões que aprontei, valeria a pena escrever um livro, já que aqui fica pequeno demais para alguém que trucidou pintinhos por esmagamento aos três anos, que fugiu sozinha de ônibus aos cinco, foi pedida em casamento (com direito a aliança roubada) aos sete e incendiou um barraco aos doze...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-7276611494971344193?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/7276611494971344193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/02/ah-as-criancas.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/7276611494971344193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/7276611494971344193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/02/ah-as-criancas.html' title='Ah, as crianças!'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-5256716725392913153</id><published>2009-02-11T17:14:00.001-02:00</published><updated>2009-02-11T17:17:05.996-02:00</updated><title type='text'>Diálogos Cotidianos (pero no mucho)</title><content type='html'>_ Cheguei em casa ontem e ele tava lá sentado na minha cama com o bilau dentro de um pote com gelo...&lt;br /&gt;_ What the fuck?! (engasga com a comida)&lt;br /&gt;_ É! Olha que idéia brilhante: ele tava lá sem fazer nada e resolveu aparar os pêlos com uma dessas tesourinhas de dobrar...&lt;br /&gt;_ Hahahahahahaha espera, deixa eu me recompor (...) Como ele conseguiu cortar o [suprimido, já que este é um blog de família] com um trocinho daqueles?&lt;br /&gt;_ Foi um cortezinho de nada, ele disse que escapou da mão dele. Sabe como é né, não parava de sangrar nunca mais, cagou o chão do apartamento todo e ele colocou no gelo pra estancar.&lt;br /&gt;_ Ok, isso foi bizarro. Quer frango? &lt;br /&gt;_ Não, já peguei, obrigada. Pior de tudo foi que eu fiquei na mão depois né... O cretino virou pro lado e dormiu.&lt;br /&gt;_ Ah, seja compreensiva. Eu ficaria super chateada se tirasse uma lasca do meu [suprimido]. Não que eu tenha um...&lt;br /&gt;_ Besta.&lt;br /&gt;_ Ele levou a preservação criogênica de esperma a outro nível agora. Congelado &lt;em&gt;in natura&lt;/em&gt;...&lt;br /&gt;_ Ai, me dá um cigarro...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-5256716725392913153?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/5256716725392913153/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/02/dialogos-cotidianos-pero-no-mucho.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/5256716725392913153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/5256716725392913153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/02/dialogos-cotidianos-pero-no-mucho.html' title='Diálogos Cotidianos (pero no mucho)'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-6198857226489659607</id><published>2009-02-11T01:21:00.004-02:00</published><updated>2009-02-11T01:44:54.646-02:00</updated><title type='text'>A dádiva feita fardo</title><content type='html'>Ainda lembro-me dele chegando em casa depois da feira de sábado, carregando bolsas pesadas com legumes e as frutas da estação como se não pesassem nada. Dois lances de escadas também não significavam um obstáculo para ele. Sempre trazia alguma besteirinha que eu gostasse (e como criança, gostava de TUDO que tivesse açúcar) e eu rodeava as bolsas feito abelha em vitrine de padaria. O pomar que ficava no fundo no terreno estava sempre limpo, bem cuidado e carregado de frutas. Não podia haver lugar melhor no mundo para eu passar minhas tardes, ora trepada na goiabeira, ora abrindo frutas para deixar no chão para os passarinhos. Eu achava que os passarinhos, que não tinham faca ou canivete, nunca poderiam comer um abacate ou chupar uma laranja, então eu tentava facilitar a vida deles do meu jeito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes era preciso que ele me buscasse no meio do mato, quando a tarde começava a cair e eu teimava em me esconder nas minhas fortalezas de taquara. Ele, sempre assustador, com voz de trovão impondo respeito. Eu pequena, em prantos e com a indefectível expressão infantil de ‘fiz besteira, não grita comigo’ estampada no rosto, saía e passava correndo por ele feito bala. Fazia meu dever de casa, tomava banho e só depois aparecia para jantar, na esperança de que ele tivesse esquecido a bronca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bronca que aliás, era só dele. Ai dos meus pais se ralhassem comigo por qualquer motivo que fosse. Ele ficava bravo e me defendia com unhas e dentes, ainda que as palmadas fossem merecidas. Nunca fui muito menina, minha mãe obrigava-me a usar vestidos que me atrapalhavam a soltar pipa e eu destruí um ou outro num daqueles tombos espetaculares, dos quais a gente se levantava e olhava em volta pra se certificar de que ninguém vira. Numa dessas, estraçalhei meus joelhos de sete anos, apavorando a todos em casa ao chegar com sangue escorrendo pernas abaixo, misturado a terra, fazendo lama. No pandemônio provocado pelos meus berros de ‘Tá doendo, eu vou morrer’ e pelo meu pai me segurando pra tentar limpar, ele se impôs. Pegou-me no colo e me contou histórias sobre pessoas que haviam se machucado muito mais e que haviam ficado bem depois de serem cuidadas. Embora eu achasse que o pior que podia acontecer a alguém fosse ralar os joelhos, me distraí e acabei deixando que limpassem e colocassem mercúrio nos machucados, enquanto jurava pra ele que não estava doendo, tentando parecer forte para fazê-lo se orgulhar de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase vinte anos depois, ele precisa de ajuda para descer as escadas, não consegue carregar mais quase nada sem passar o dia descansando para se recuperar do esforço. Já não levanta a voz e se contenta em olhar a vida pela janela. O pomar virou bosque, que virou matagal e nada mais nasce lá. Até os passarinhos foram voar por outras bandas.  Ele não reclama, não aceita ajuda de bom grado e não demonstra como se sente. Eu não interfiro, imagino o quão difícil seja para um homem que já carregou a família nas costas admitir que não consiga calçar os próprios sapatos. Sempre que posso tento ajudar, disfarçadamente para não tirar-lhe a dignidade, quando procuro dar-lhe pequenos problemas para resolver ou quando ando de braços dados com ele na rua, num misto de orgulho - ‘Esse é meu avô.’ - e de medo que ele tropece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morri um pouco por dentro quando ele caiu sozinho e, sentado no chão, sem me perceber escondida atrás da porta, brigou com Deus, de olhos marejados, por ter de seguir assim. Pediu que Ele o levasse logo, pois aquilo não era vida. Foi a primeira vez que eu reparei nesse lado da existência dos velhos, no quão desesperador deve ser ter uma alma enorme, que já viveu tanto, presa às limitações de um corpo sofrido e gasto. E eu vou entender quando ele partir, acho até que a gente vai compartilhar um sorriso de alívio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-6198857226489659607?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/6198857226489659607/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/02/dadiva-feita-fardo.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/6198857226489659607'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/6198857226489659607'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/02/dadiva-feita-fardo.html' title='A dádiva feita fardo'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-9186657511088998450</id><published>2009-02-08T20:29:00.006-02:00</published><updated>2009-02-08T22:19:42.907-02:00</updated><title type='text'>On letting go...</title><content type='html'>Tem uma música do Aerosmith que lá no fundo parece que dá para ouvir um telefone tocando. Talvez não tenha nenhum ruído que faça menção a uma campainha de telefone, mas eu escuto. Vai ver que é por que eu condicionei meus ouvidos a isso. Quem me conhece um pouco que seja, sabe que eu odeio telefone. Do meu lado da linha, eu não presto atenção em nada do que está sendo dito, coisa que para mim já é difícil de fazer olhando nos olhos da pessoa. Do outro lado, a impressão que tenho é que estou jogando minha voz no espaço e que ela não vai ricochetear em lugar nenhum. Acho que tenho medo que a pessoa do outro lado da linha seja tão autista quanto eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas últimas semanas, toda vez que essa música toca, eu tenho um sobressalto. Acho que também condicionei meu coração a ter sobressaltos. Eu acabo procurando feito uma cega louca o celular e o telefone fixo pela casa para me certificar de que não estão tocando, mesmo que as campainhas sejam absolutamente diferentes do ruído que eu escuto na música. E que pode nem estar lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos raros momentos em que não estou ouvindo música nenhuma, o telefone toca de verdade. Esteja ele embaixo do meu travesseiro ou largado em cima da mesa de bilhar, eu tenho o mesmo sobressalto. Dessa vez é porque eu sei o que vem pela frente. Nessas horas eu queria nem ter identificador de chamadas, seria uma forma de não sofrer por antecipação. Mas é sempre a história que eu não quero ouvir, o convite que eu não posso aceitar ou a acusação que não cabe a mim. Eu procuro ser sincera sempre, mas tomando muito cuidado porque a sinceridade nem sempre é vista com bons olhos. Ou ouvida com bons ouvidos. Infelizmente, percebo que tenho falhado nessa minha sinceridade sutil, pois eu continuo dizendo uma coisa e as pessoas insistindo em entender outra. Após desistir de tentar me fazer entender, acabo por ouvir a história, declinar do convite, uma, duas, três vezes e engolir em seco a acusação que não é minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não gosto de expor tudo que vai na minha cabeça o tempo todo, acho que ‘para sempre’ é tempo demais e escrever a caneta é não se dar a oportunidade de apagar e escrever de novo, quantas vezes forem necessárias, até o seu rascunho ter cara de texto final. Mesmo que você revise, ache que não é nada daquilo (geralmente não é) e apague tudo de novo. Por isso eu prefiro escrever a lápis. Enquanto o papel aguentar, eu apago e tento outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se o telefone insistir em tocar, se as histórias se alongarem e os convites não cessarem, ao menos por um curto período, uma trégua que seja, eu vou escrever em letras garrafais, com uma dessas canetas para retroprojetor que não apagam nem com álcool, acetona e despacho em encruzilhada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ME DEIXA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não me esqueça. Só me mantenha aí em animação suspensa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-9186657511088998450?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/9186657511088998450/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/02/on-letting-go.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/9186657511088998450'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/9186657511088998450'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/02/on-letting-go.html' title='On letting go...'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-7540325092932358341</id><published>2009-02-04T22:52:00.004-02:00</published><updated>2009-02-04T22:57:50.176-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coincidência'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='medo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='relacionamento'/><title type='text'>Sincronicidade</title><content type='html'>Sabe esse papo de sincronicidade? Então, eu não acredito nele. Assim como não acredito em horóscopo, vodu, papai Noel e heteros que ouvem Mika. Mas ultimamente, não sei por que cargas d’água, uma assombração dessas deu para passar os dias tentando me convencer de que existe. Não me surpreenderei quando o papai Noel bater à minha porta às três da manhã, com uma garrafa de vinho argentino na mão, cantarolando Grace Kelly. O que me faz lembrar que durante toda minha infância ninguém jamais ousou tocar no assunto da sexualidade do papai Noel, o que no fim das contas torna perfeitamente cabível a cena acima descrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, voltando ao enredo do meu samba de uma nota só, essa tal de sincronicidade deu pra ficar na minha cola nos últimos dias. Ou isso ou eu ando pancada demais, buscando correlações e vendo padrões em tudo.  Coincidências significativas ou não, coisas estranhas têm me acontecido. Um beija-flor, provavelmente perdido numa rua cheia de postes, fios e poluição visual, achou que era boa idéia entrar por uma das centenas de janelas do prédio onde trabalho e ficou dando rasantes pelas salas até encontrar um lugar para descansar. Este porto seguro veio a ser minha cabeça. Em 25 anos de existência eu não tinha chegado a menos de um metro de um beija-flor e um deles, talvez o mais suicida, resolve se embolar no meu cabelo. Ele estava cansado e o coração a 500 BPM dele parecia que ia sair pelo bico, o que fez com que eu tentasse pegá-lo para levar até a janela. Mas é impossível. Ele deve ser feito de matéria impalpável, escorregava entre meus dedos feito água e fugia.  Mas era só eu me sentar de novo que ele tomava coragem e voltava pra minha cabeça. Por fim ele decidiu que nosso tête à tête estava terminado e saiu pela janela sem sequer prometer um telefonema no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias depois me rendi à curiosidade e fui ao cinema assistir The Curious Case of Benjamin Button. Não chorei. Pra ser sincera, nem me envolvi muito com a trama, que só valeu o ingresso pelo Brad Pitt de óculos escuros em cima de uma moto.  Quem já assistiu sabe que um beija-flor, atrevido feito o meu, tem uma participação no filme. Daquelas que eles colocam para você interpretar como quiser, você o faz e não conta pra ninguém por medo de ter entendido tudo errado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achava eu que minha história com essas avezinhas intrigantes estava terminada. Até que esta tarde, não me pergunte o porquê, levantei-me de minha cadeira e fui até a janela, coisa que eu nunca faço, dada a vista feia e deprimente. Olhei diretamente para o outro lado da rua e vi o pretérito imperfeito acenando pra mim e apontando pro relógio, como quem diz ‘Te espero aqui. Encontre-me quando sair’. Balancei a cabeça afirmativamente, meu estômago balançou junto, só que em ritmo de rumba e o chão sumiu sob meus pés por uma fração de segundo. Eu não tenho medo do desconhecido, mas o conhecido me apavora a ponto de me tirar o equilíbrio. Refeita do assombro, fechei a janela, no que ouvi um baque surdo. Olhei para trás e foi o tempo de ver um beija-flor (seria O beija-flor?) cambaleando para a marquise, procurando um lugar seguro para se recompor do choque contra o vidro. Não estivesse Jung morto há mais de quarenta anos, eu me encarregaria de abotoar o paletó do cretino hoje mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-7540325092932358341?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/7540325092932358341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/02/sincronicidade.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/7540325092932358341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/7540325092932358341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/02/sincronicidade.html' title='Sincronicidade'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-8985816197919675308</id><published>2009-01-30T00:28:00.004-02:00</published><updated>2009-01-30T00:43:23.086-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='solteirice'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='relacionamento'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='perda'/><title type='text'>Post de Introdução ao Post.</title><content type='html'>Hoje cheguei à empresa, atrasada pra variar, e me disseram que as recepcionistas estavam em treinamento para melhorar o atendimento aos clientes e mais um bla blá blá que meus ouvidos fizeram questão de ignorar. O fato é que alguém precisava ficar lá no lugar delas e por uma dessas rasteiras inexplicáveis do destino, este alguém veio a ser esta que vos escreve. Entre o pânico absoluto provocado pela perspectiva de ficar algumas horas longe do meu computador e a possibilidade de passar uma agradável manhã de ócio, onde a minha maior preocupação seria sorrir amarelo para os viventes que adentrassem o recinto, fiquei com a segunda opção. Depois de ler todas as Caras e Vogues que estavam por perto e concluir que eu não posso comprar uma bolsa que custa o mesmo que um carro e que meus peitos são menores que minha cabeça, comecei a ficar entediada. Olhei para um bloquinho de post it e ele me olhou de volta com um sorrisinho safado, igualmente amarelo, no canto da boca. Ok, peguei o bloco e me pus a fazer uma daquelas coisas que se alguém assiste, no mínimo acha que você sofre de graves problemas mentais: comecei a escrever freneticamente naquelas folhas miúdas. Cada cliente que entrava ou saia me retornando aquele sorriso falso, mudava de expressão ao perceber a alta pilha de folhinhas amarelas desafiando a física ao meu lado no balcão. Pilha esta que até poderia ter ficado menor, mas eu não escrevo no verso. O TOC disse: ‘O verso é atrás, faz sombra e tem cola. Não se escreve no verso. ’ Achei melhor obedecer, vai que ele me obriga a contar os carros enquanto vou para casa?! Mas enfim, esta é apenas uma introdução (a ser devidamente ignorada) para o que veio a ser o post &lt;s&gt;it&lt;/s&gt; em si:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Implicações da Solteirice – A perda&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um psicólogo israelense chamado Daniel Kahneman, ganhador do prêmio Nobel de economia em 2002 (o cara é especialista em Teoria da Finança Comportamental, que não tem absolutamente nada a ver com o assunto aqui apresentado), provou através de seus estudos que sofremos muito mais com as perdas do que nos alegramos com os ganhos e vitórias. Não que um diploma de psicologia seja necessário para perceber isso, mas o estudo foi importante para provar por A mais B que somos uns reclamões mal agradecidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao término de uma relação, ainda que a decisão tenha partido de você, o sentimento de perda é inevitável. Acaba-se por &lt;s&gt;pesar&lt;/s&gt; pensar demais no próprio fracasso em conviver com outra pessoa e manter este relacionamento saudável, bem como na incapacidade do OUTRO para o cumprimento da mesma tarefa hercúlea. Não digo apenas por experiência própria, mas também por alheia: são raríssimos os casos em que seja possível manter um laço de amizade com um ex, especialmente se foi você que &lt;s&gt;meteu o pé na bunda&lt;/s&gt; deu um fim na relação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessas horas as lembranças dos momentos bons e a experiência adquirida acabam mesmo não significando muita coisa. O processo de tornar-se um estranho para alguém que te conhece muito bem é lento e catártico, mas não precisa necessariamente ser doloroso. Encare este momento como um tempo só para você, uma pausa para recuperar a sua individualidade. Você não precisa mais fazer concessões para agradar a ninguém, é a hora de ir onde gosta, quando quiser, assistir o filme que te aprazir (isso inclui aquele romance iraniano sem legendas) e chafurdar nos livros que você nunca leu por falta de tempo. Experimente, pela primeira vez em muito tempo, não fazer NADA. Encare uma manhã de sábado sozinho em casa, de pijamas, cabelos desgrenhados e maquiagem de panda da noite anterior, assista Doce Novembro de novo e chore cada lágrima, sem vergonha de ter alguém olhando e coma todo o chocolate que você &lt;s&gt;puder&lt;/s&gt; &lt;s&gt;quiser&lt;/s&gt; aguentar. Parece deprimente né? Mas é o primeiro passo para aceitar a perda e começar a conviver bem com a única pessoa de quem você não pode se separar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E adivinhem? CONTINUA...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-8985816197919675308?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/8985816197919675308/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/01/hoje-cheguei-empresa-atrasada-pra.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/8985816197919675308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/8985816197919675308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/01/hoje-cheguei-empresa-atrasada-pra.html' title='Post de Introdução ao Post.'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-3402977665328639914</id><published>2009-01-27T22:22:00.004-02:00</published><updated>2009-01-27T22:41:02.463-02:00</updated><title type='text'>Implicações da Solteirice</title><content type='html'>&lt;span style="font-style:italic;"&gt;'Relações de dependência e submissão, paixões tristes.&lt;br /&gt;Algumas pessoas confundem isso com amor.&lt;br /&gt;Chamam de amor esse querer escravo'&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí você toma aquela dose extra de coragem &lt;s&gt;ou de vodka&lt;/s&gt; e resolve por um fim no seu relacionamento. Ótimo, agora tem mais tempo para investir em seus projetos pessoais, para se cuidar, trabalha mais focado e se atualiza. No começo, munido da sua recém adquirida autoestima e força interior dignas de Steven Seagal, você acha que aquele mundo novo que se descortina diante de seus olhos incrédulos é todo feito de oportunidades imperdíveis, assim como os anúncios das Casas Bahia. Acredita que seu final de semana tem 72 horas, tempo mais que suficiente para arrumar a casa, cozinhar, cuidar do cabelo, das unhas, dos gatos, ler seus feeds, e-mails, jornais da semana passada, bulas de calmantes, organizar a gaveta de calcinhas por cor e ainda estar linda e deslumbrante à noite para aquele chopinho com as amigas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;B-A-L-E-L-A. Você passa tanto tempo buscando resgatar sua vida social, abandonada desde o período pré-cambriano, na esperança de suprir a falta que a outra metade da laranja te faz, que no fim todo o seu tempo livre é gasto ao telefone (blasfêmia!) ou em redes sociais, quando não prostrado em frente à tevê assistindo reprises de séries dos anos noventa e fugindo feito diabo da cruz de famigeradas comédias românticas... Você assiste desesperado à sua derrocada, enquanto se torna um boneco de Judas recheado de bolinhas de isopor que passa 20 horas por dia hipnotizado pela luz do monitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passada a euforia inicial com aquela dose cavalar de liberdade que cai repentinamente em seu colo e com a qual você não faz a menor idéia de como lidar, é chegada a hora de começar a se preocupar com as questões filosóficas de difícil solução que cercam a solteirice. A primeira delas é a solidão. Seus amigos, novos e velhos de guerra, são legais, compreensivos e engajados na árdua tarefa de não permitir que você se torne uma deprimida que assiste novela e come Nutella do copo usando o dedo indicador, mas eles não são O OUTRO. O outro faz parte de você, mas não está EM você, salvo duas ou três vezes por semana, quando o prognóstico é favorável. Alguns autores preferem classificar este ser que descrevo como organismo simbiótico. Você é você mesmo o tempo todo na frente da sua extensão, com todos os desastres íntimos que isso implica, ela por sua vez parece desenvolver imunidade a isso e ambos seguem felizes (?) nessa relação de co-dependência, até que uma das partes siamesas resolva realizar uma autoamputação e cair no mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONTINUA (sim, isso vai render).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-3402977665328639914?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/3402977665328639914/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/01/implicacoes-da-solteirice.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/3402977665328639914'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/3402977665328639914'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/01/implicacoes-da-solteirice.html' title='Implicações da Solteirice'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-860031624284911951</id><published>2009-01-26T01:50:00.003-02:00</published><updated>2009-01-26T01:56:57.469-02:00</updated><title type='text'>Pesadelo.</title><content type='html'>Era chegado meu primeiro dia. Não achei, apesar de tanta observação, pesquisa e estudo durante meses a fio, que fosse encontrar uma cena daquelas logo no meu primeiro caso. O agente mais experiente, a quem eu via como uma espécie de mentor, seguia logo atrás de mim, chamando a minha atenção para um ou outro detalhe. Era bem mais alto que eu e trajava um terno cinza que parecia ser de um tamanho menor que o ideal. Sua sombra projetada no chão à minha frente transmitia uma sensação de segurança que era quase opressora.  Eu sabia que ele estava ali para me orientar, embora ao mesmo tempo me sentisse a novata inexperiente pronta para estragar tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi assim que eu comecei, estragando a cena. Movi acidentalmente a vassoura que me impedia de abrir a porta num ângulo mais confortável, derrubando também uma cadeira que estava logo atrás. Os outros agentes entreolharam-se com ar de desdém e eu só queria um meio de me tele transportar dali. Mas segui em frente, ainda que embaraçada, ditando os detalhes que considerava importantes e tentando não me chocar com o ambiente em volta: um pequeno conjugado, numa viela estreita, apesar de bem iluminada. Poucos móveis, todos fora de lugar, lençóis e travesseiros espalhados a esmo. Uma cama grande com gavetas dominava o ambiente, restringindo nosso avanço até os outros dois cômodos: uma pequena cozinha e um banheiro. Papéis espalhados sobre a cama completavam o cenário. O corpo, feito em pedaços, fora cuidadosamente depositado nas gavetas da cama, mas não fora esquartejado de forma que fosse possível fechá-las. Por isso, apesar da bagunça reinante no local, as gavetas semi-abertas exibiam o único detalhe que evidenciava que um crime fora cometido ali. Havia duas possibilidades: ou o assassino sumira com a arma do crime e com toda a sujeira que deveria haver após o homicídio ou ele apenas havia depositado o corpo ali, o que não explicaria a mobília desalinhada e os objetos espalhados pelo chão e pela cama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto seguia fazendo minhas observações sobre o ocorrido, adentrando a ínfima cozinha que parecia ter sido atingida por um tufão, percebi um silêncio repentino. Virei-me para o quarto e me deparei com um cenário perturbador: os três agentes que me acompanhavam, além dos dois peritos que recolhiam evidências no local, jaziam inertes no chão, com uma inconfundível expressão de terror em suas faces, olhos arregalados sem vida e suas bocas haviam se tornado um borrão disforme, que imortalizara a intenção de um grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De pé contra o sol da manhã, sob o batente da porta aberta, estava um sujeito muito alto, de compleição forte. Mesmo com a claridade que me impedia de vê-lo em maiores detalhes, eu sabia que ele me fitava diretamente nos olhos, sem desviar o olhar ou piscar. Meu primeiro reflexo natural seria sacar minha pistola, mas havia algo de estranho com aqueles olhos. Parecia que o tempo havia congelado desde que ele entrara no recinto. A própria poeira pairava lenta pelo quarto sem pousar em nada. O ar estava estático e mesmo os sons da rua pareciam ter desaparecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele começou a avançar vagarosamente em minha direção, sem nunca desviar o olhar que me aterrorizava a ponto de não permitir que eu me movesse. Segurou-me pelo pescoço e me levantou do chão como se eu nada fosse. Nesse momento notei uma pequena alteração em seu olhar, parecia incrédulo, como se algo fugisse aos seus planos.  Ouvi um som familiar e olhei para o lado. Era meu celular que tocava sobre a cama. Nesse momento eu acordei, estiquei o braço e atendi a ligação dele, ainda assustada com o pesadelo que acabara de ter.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-860031624284911951?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/860031624284911951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/01/pesadelo.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/860031624284911951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/860031624284911951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/01/pesadelo.html' title='Pesadelo.'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-3226122000322915343</id><published>2009-01-19T19:47:00.003-02:00</published><updated>2009-01-19T19:53:06.851-02:00</updated><title type='text'>Não te amo mais. Adeus.</title><content type='html'>Esse final de semana foi daqueles de me virar de cabeça para baixo. Eu teria até arrancado a cueca pela cabeça, se eu usasse cuecas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na sexta-feira engasguei-me com o clima de velório reinante em meu relacionamento, que alternava momentos de ‘meu chuchu, meu buzunguinho’ com uma guerra-fria de fazer inveja na União Soviética e nos EUA. Quando coloquei para fora aquela dor numa automanobra de Heimlich desesperada, tudo que saiu foi um duro e seco: ‘Não sei se ainda gosto de você’, acidentalmente inspirado em Alice Ayres, de Closer. E quando o amor acabou eu sentei calmamente à meia luz e li uma Vogue, porque eu sofro, mas sou uma diva acima de tudo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;‘Sente dor, mas não chora. Sabe que o amor tem hora pra chegar e pra partir... ’&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda na sexta, resolvi afogar as mágoas. Barzinho agradável, ombro-amigo a postos para qualquer eventualidade e uma banda de samba e MPB que era pra ser de jazz. Mas tudo bem, vamos de samba e MPB (nessa hora rezei em silêncio, pedindo para que escolhessem músicas que não falassem de amor). E a banda, alheia à minha situação, já começa com:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;‘Todo dia ela faz tudo sempre igual, me sacode às seis horas da manhã, me sorri um sorriso pontual e me beija com a boca de hortelã... ’&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engulo em seco e acendo outro cigarro. O garçom me olha com cara de misericórdia e eu aceno que quero outro chope. Ele atende prontamente. E começa &lt;em&gt;‘a circular o expresso 2222 que parte direto de Bonsucesso pra depois... ’&lt;/em&gt;. Parecia que a banda estava pegando o espírito da coisa. Parecia que EU estava pegando o espírito da coisa, estava começando a sorrir, falar besteira e fazer amizades de infância na fila do banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A conversa estava animada, eu estava me sacudindo na cadeira e o garçom parecia especialmente obstinado a me embebedar naquela noite. Ingênua, mal sabia o que me esperava. Uma long neck, cinco chopes, nove cigarros e uma tábua de frios depois, quando voltava da minha quarta ida ao banheiro (cerveja é diurético, ok?) percebi que havia algo errado. Eu reconhecia aqueles primeiros acordes que doíam na alma. Parecia que o chão estava se abrindo à minha volta e não era só porque eu estava &lt;s&gt;um pouco&lt;/s&gt; bêbada. Caminhei até minha mesa com o mínimo de coordenação motora que me restava e agarrei minha bolsa com força, sob protestos da minha amiga e dos agregados que chegaram depois. Despedi-me, ou pelo menos creio que o fiz, e saí tropeçando nas mesas pelo caminho, enquanto o vocalista da banda cravava mais fundo nas minhas costas o punhal da dor de cotovelo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;‘Passas em exposição. Passas sem ver seu vigia, catando a poesia que entornas no chão... ’&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-3226122000322915343?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/3226122000322915343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/01/no-te-amo-mais-adeus.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/3226122000322915343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/3226122000322915343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/01/no-te-amo-mais-adeus.html' title='Não te amo mais. Adeus.'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-6421770426486147887</id><published>2009-01-14T00:10:00.004-02:00</published><updated>2009-01-14T00:38:11.135-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='distúrbio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='controle'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='comportamento'/><title type='text'>Mea culpa</title><content type='html'>Conhece alguém que exige que as coisas sejam feitas exatamente à sua maneira? Que tem um surto psicótico quando algum detalhe sai diferente do que foi planejado? Que se atreve a dar pitaco até no seu corte de cabelo e nas suas amizades? Que não suporta que você tenha vida própria, longe de seus olhos inquisidores? Minhas condolências, você conhece um control freak.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se você conhece alguém assim e também conhece a esta que vos escreve, então sinto duplamente: você conhece dois control freaks. Eu sei que isso é vergonhoso e totalmente inaceitável, além de muito, muito feio. Mas a sensação de poder ao estar no controle é tão... inebriante. Você acaba sucumbindo ao hábito e quando percebe não está apenas controlando seu espaço, seu trabalho e aqueles &lt;s&gt;poucos infelizes&lt;/s&gt; que se encontram próximos a você. Logo começa a escolher com que roupa sua amiga vai sair, com quem o &lt;s&gt;pobre diabo do&lt;/s&gt; seu namorado pode e não pode falar e até os lugares que você prefere que os outros frequentem, &lt;s&gt;delicadamente&lt;/s&gt; indicados por você, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente a mania patológica de controlar tudo à sua volta não tem maiores consequências, especialmente quando confundida com TPM ou crise de pelanca, no caso das ameaças ambulantes do sexo feminino. Porém, existem aqueles momentos de completa ausência de bom senso em que você pode chegar a extremos, como por exemplo, escanear o histórico de ligações do celular alheio (não me refiro a ciúmes) e até levantar a ficha da rede social de alguém (também não me refiro exclusivamente a Orkut e afins). Você percebe, a esta altura já ciente e em processo de negação de seu distúrbio comportamental, que está se utilizando de meios pouco ortodoxos na tentativa, nem sempre frustrada, mas sempre frustrante, de manipular tudo que acontece ao seu redor. Ao menor sinal de falha, sua reação super adulta e bem resolvida é ficar com um bico do tamanho da pedra da Gávea e fazer birra com o mundo por, vejamos... duas horas no máximo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo mundo tem alguma desordem de personalidade hoje em dia. Quando não tem, inventa. Seja para estar na moda ou para ter uma desculpa sempre na ponta da língua para aquela cagada miserável que cometeu. Não desmerecendo aqueles que realmente são pancadas das idéias, mas é tão mais fácil dizer ‘Eu sou bipolar’ do que ‘Não tô com saco pra ouvir sua voz hoje, some.’ Ou ainda ‘Eu tenho depressão’ ao invés de ‘Não quero trabalhar, não gosto de banho e definitivamente não vou pentear o cabelo.’ Talvez se deva ao fato da segunda opção, em ambos os casos, não ser socialmente aceitável. Mas peguem leve comigo, decidi já há algum tempo, em nome da minha sanidade mental, que me alforriaria de minha própria esquisitice. Não quero escolher mais nem sabor de sorvete. Só por hoje...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-6421770426486147887?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/6421770426486147887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/01/mea-culpa.html#comment-form' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/6421770426486147887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/6421770426486147887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/01/mea-culpa.html' title='Mea culpa'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-5199476579206705323</id><published>2009-01-05T21:20:00.005-02:00</published><updated>2009-01-05T21:31:43.904-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='xampu'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desodorante'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='futilidade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Higiene pessoal'/><title type='text'>Supérfluos de primeira necessidade...</title><content type='html'>Este é um post mulherzinha. Dizem que quem avisa amigo é, certo? Então, como sou muy amiga já vou dizendo: se você não é ou não gosta de mulherzinha, faça um favor a si mesmo e vá perder 5 minutos com outra coisa qualquer. Sei lá, apare os pêlos do nariz, faça dreads nos cabelos do sac... digo, escroto, tire aquela casquinha nojenta que você tem atrás da orelha. Ou vá assistir a uma reprise de Two and a Half Man, como eu mesma sempre faço nesses inevitáveis momentos de ócio. E me perdoem os hífens ou a falta deles. Ainda estou me acostumando, esse é um processo lento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu peço licença para desabafar. Venho aqui humildemente para falar sobre uma fraqueza da qual eu não me orgulho, e vocês entenderão por que. Nunca fui uma Barbie siliconada com luzes no cabelo, cílios postiços e unhas de porcelana, sou daquelas que têm aversão a salto alto, que bebem do gargalo e fazem campeonato de arroto com os amigos. Meu nome é Joice Viana e eu não compro artigos de higiene pessoal há 3 horas e 36 minutos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, eu sou uma farmáciaholic ou perfumaria addicted.  Toda vez que eu vou à farmácia, ao supermercado ou a qualquer loja de departamentos, me perco na sessão de perfumaria e por nada nesse mundo quero ser encontrada. É uma profusão de perfumes, texturas e cores que me deixa tonta. Por mais que eu tenha ido comprar uma caixinha de cotonetes eu acabo levando xampu para cabelos secos, oleosos, mistos, tingidos e com permanente, desodorante aerossol antitranspirante edição limitada com embalagem supertransada e fórmula que não mancha a roupa, spray condicionador leave-in anti frizz com filtro solar (totalmente desnecessário se você vive em Petrópolis), bloqueador solar FPS 50 com agente especial azul (que eu ainda não descobri o que é, mas se for um detetive loiro de uniforme azul cobalto que vai espalhar o filtro solar em mim, ótimo). Eu tenho até o despeito de comprar esmalte vinho bordô, só me faltam as unhas.  Tenho duas delas na mão direita que estão razoavelmente compridas. Ok, não. Mas também não se comparam aos cotocos dos outros dedos. Estou guardando estas duas para roer num momento de estresse extremo, onde toda a minha habilidade de transferir responsabilidades e trabalhar com prazos apertados seja colocada à prova. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei trazendo também prendedores de cabelo com glitter, condicionador sem enxágue para cabelos longos (o que não é exatamente o meu caso) e hidratante corporal com mel.  Sabonete líquido hidratante com flor de cerejeira e absorventes, pois a gente nunca sabe... mentira, a gente sabe sim. Especialmente se você toma anticoncepcional. Aí você tem dia e hora marcados. Claro que eu não podia me esquecer do líquido para lentes de contato, mas adivinhem?! Eu esqueci! Deve ser porque ele não tem cheirinho, nem embalagem bonita, nem cores e texturas e muito menos glitter. O jeito agora é colocar as lentes no soro fisiológico e torcer para que elas não se desintegrem até amanhã e que este ambiente propício à criação de armas biológicas de destruição em massa não permita que formas de vida do reino monera, ainda desconhecidas, proliferem-se lá dentro ao som de salsa enquanto eu durmo inocentemente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei saindo com duas bolsas de tranqueiras, sessenta e oito reais mais pobre e sem aquele artigo de primeira necessidade, pelo qual estava originalmente procurando.&lt;br /&gt;Agora, se me dão licença, estou indo tomar um banho relaxante de três horas e meia, onde poderei experimentar cada umas das muitas porcarias inúteis que comprei. Desejem-me sorte para que meus cabelos não caiam e eu não seja intoxicada lá dentro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-5199476579206705323?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/5199476579206705323/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/01/suprfluos-de-primeira-necessidade.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/5199476579206705323'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/5199476579206705323'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/01/suprfluos-de-primeira-necessidade.html' title='Supérfluos de primeira necessidade...'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-195851218544445477</id><published>2009-01-05T00:53:00.001-02:00</published><updated>2009-01-05T00:57:36.276-02:00</updated><title type='text'>Carne available.</title><content type='html'>E cá estamos nós, 05/01/2009, o ano entrou sorrateiramente e eu nem senti (essa eu deixei quicando, é só chutar). Amanhã começa a correria de fato, pois as últimas semanas foram de um intenso empurrar com a barriga. Tenho trabalhos cujos deadlines venceram lá pelos idos de novembro e não tenho a menor vontade, inspiração ou iluminação divina para tirá-los da temida pasta sanfonada com 12 partições, chamada 'Pendências'. Aliás, fica a pergunta: partições ou repartições? Prefiro que sejam partições, pois repartições me lembram cargos públicos, que me lembram que eu não tenho um, o que me deprime instantaneamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltemos ao post...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assombra-me a idéia de que minha próxima folga gorda será apenas no carnaval, data que eu não amo, mas que pelo simples fato de não precisar trabalhar, já vale cada cantada suja que eu ouço de bêbados suados, úmidos e pegajosos pelas ruas da minha igualmente úmida e pegajosa cidade. Não, eu não sou uma beldade, mas qualquer vulto que lembre vagamente uma figura feminina corre o mesmo risco nessa época do ano. O carnaval deveria ser mais bem definido em dicionários e enciclopédias. &lt;br /&gt;Algo do tipo: Carnaval - Substantivo grupal de sexo indefinido. Ou substantivo indefinido de sexo grupal. &lt;br /&gt;Definição: Festa popular (o 'popular' por si só, já deveria causar terror) realizada no mês mais quente do ano, quando as pessoas estão propensas a criarem fungos nas axilas e em outras reentrâncias do corpo. Quando ocorre, todos os que possuem gosto duvidoso saem para exibi-lo nas ruas, vielas, avenidas, escadarias escusas, clubes de quinta categoria e outros locais pouco ortodoxos. É quando você ajuda seu amigo a se vestir de mulher e percebe que ele fica melhor naquele vestido do que você. Geralmente você também nota que os esforços da prefeitura para fazer do carnaval da sua cidade algo que pelo menos de longe e sob efeito de álcool pareça divertido, falharam miseravelmente. É quando você veste o que não devia vestir, bebe o que não devia beber, come o que e quem não devia comer e acorda do lado de uma bruxa descabelada com bafo de bacalhau ao óleo de fígado de bagre que você não conhece, mas que provavelmente te parecia bem mais interessante ontem. Curto período do ano em que exemplares da raça humana em idade reprodutiva, livres de compromissos conjugais (ou não), momentaneamente privados de suas faculdades mentais devido ao consumo desenfreado de aditivos químicos de toda sorte praticam livremente a auto-sabotagem. Eu sempre desconfiei que aquela lágrima do Pierrô não fosse devido ao perdido que levou da Colombina e sim de desgosto por ser ícone dessa festa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, a despeito de tudo isso, é época de folga. FOLGA. Significa sem trabalho de nenhum tipo por quase uma semana. Pernas pra cima, moleza, acordar após o meio-dia, desligar o celular, caso sua chefe tome certas liberdades, como por exemplo, ligar para você sábado às nove da manhã. Se por alguma cretinice do destino você é daqueles que precisa trabalhar no carnaval, apele para a diarréia. Se a diarréia não amolecer o impenetrável coração de chumbo do seu superior, quebre uma perna! Ainda te sobra a outra para pular e dançar as músicas de gosto duvidoso, as muletas te darão um apoio extra quando você, bêbado feito um guaxinim, não conseguir chegar em casa e ainda de quebra você pode despertar algo nas mulheres, nem que seja compaixão pelo sofrimento de ser um folião perneta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu vou. Daqui a algumas horas encararei bravamente mais um dia naquele antro, aquela linha de produção de perdedores deprimidos. Farei o meu melhor com a esperança de que em pouco mais de um mês terei a doce ilusão de liberdade de novo, ainda que sob condições adversas, como as citadas acima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse foi apenas mais um post 'enche-linguiça', patrocinado por Nescafé.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-195851218544445477?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/195851218544445477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/01/carne-available.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/195851218544445477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/195851218544445477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2009/01/carne-available.html' title='Carne available.'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-8405548292718317714</id><published>2008-12-29T23:32:00.001-02:00</published><updated>2008-12-29T23:36:01.702-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='reveillon'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='2009'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='astrologia'/><title type='text'>Feliz (?) 2009!</title><content type='html'>Hoje de manhã, enquanto lia o jornal de anteontem tomando café (eu só tomo café da manhã se tiver alguma coisa pra ler, nem que seja rótulo de margarina) no sofá da sala com a Bullet aos meus pés, me deparei com uma dessas previsões para o ano que vem. Búzios, tarô, horóscopo chinês, runas, borrão de café e afins, tudo ao mesmo tempo agora, normal nessa época do ano.  O que deu nos meu colhões é que TODAS essas previsões estão extremamente negativas. Pelo visto eu não vou poder sair de casa, nem gastar dinheiro, nem mudar de emprego. Se possível, melhor nem trocar de roupa ou cortar o cabelo e passar totalmente despercebida pelo temível radar do cosmos que faz as coisas que estão escritas no horóscopo acontecerem. Claro, isso tudo se eu fosse uma das milhares de pessoas da enorme massa que acredita que a posição dos astros no momento do seu nascimento de alguma forma afeta a sua personalidade.  Aliás, se você que está lendo (tem alguém lendo?) faz parte dessa massa, sugiro uma ida rápida ao supermercado mais próximo, onde você poderá enfiar toda a sessão de enlatados num carrinho, levar pra casa e montar um bunker no seu quarto. Só saia de lá quando 2009 acabar, pois tudo indica que será caótico. Júpiter disse que eu preciso segurar a grana senão no meio do ano eu já estarei balançando uma canequinha em alguma esquina por aí com os cabelos cheios de nós. Ele também falou que eu preciso ser mais realista, não esperar muito dos relacionamentos, que eu vou ter um pouco do entusiasmo de 2006, só que mais pé no chão. Se ele chama de entusiasmo, tudo bem, eu chamaria de falta de noção total e irrestrita. Foi o ano em que eu fiz todas as coisas que não vou contar pros meus netos, mas que talvez diga por alto aos meus sobrinhos. Não vou ter filhos e, conseqüentemente, não terei netos para estragar, mas serei uma velha feliz de tinta no cabelo e gatos na varanda, que lê o jornal de anteontem enquanto toma café com Valium e fica preocupada com o pessimismo astrológico.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-8405548292718317714?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/8405548292718317714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2008/12/feliz-2009.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/8405548292718317714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/8405548292718317714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2008/12/feliz-2009.html' title='Feliz (?) 2009!'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-6418260541747650873</id><published>2008-12-26T23:32:00.002-02:00</published><updated>2008-12-27T00:13:25.860-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='baleias'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='nerds'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Máquina de lavar'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='toc'/><title type='text'>Hell yeah, I'm back.</title><content type='html'>Resolvi voltar com isso aqui, pois preciso de uma válvula de escape. Mas se você veio aqui pelo sexo, adeus. Não vou falar sobre isso (ainda). Nem sobre a vida em cativeiro do tucano azul, tampouco sobre os hábitos alimentares da baleia jubarte ou sobre o final de temporada daquele seriado.&lt;br /&gt;Na verdade eu não faço a menor idéia de sobre o que eu vou falar hoje... Pensei em dar dicas aos nerds de como conquistar uma mulher, mas eu acho que basta que eles continuem sendo nerds. Calça xadrez marrom e óculos colados com fita crepe dão um charme extra também. Se tiver TOC e gostar de lavar roupas como eu, perfeito!&lt;br /&gt;Aliás, esse hábito, dentre todos os meus hábitos e manias conhecidos, é o mais estranho. Ainda não encontrei outra pessoa no mundo que coloque a roupa na máquina de lavar e fique lá debruçada sobre ela olhando as roupas girarem, primeiro devagar, depois cada vez mais depressa, até elas virarem um borrão colorido. Eu só não contava com a astúcia da minha Brastemp antiga, que quebrou: 'Ih, queimou o circuito de novo dona, acho melhor nem trocar mais'. Se ele soubesse como isso doeu em mim...&lt;br /&gt;Aquela era uma máquina com bolas de aço. Ela não batia a roupa, espancava. Ela não centrifugava, ela secava na base da porrada. Era tão forte que às vezes eu tinha que segurar ela no chão pra não levantar vôo. Claro que eu não colocava meias finas e calcinhas de renda nela. Tinha que ser roupa que agüentasse o tranco. Mas ela se foi (que Deus a tenha) e não adianta chorar sobre a máquina enguiçada. Compramos uma Electrolux. Maior capacidade. Mais bonita, vários programas de lavagem, falta pouco fazer café e escrever num blog. Mas uma donzela. Delicada, finíssima, pra casar. Mas se você espera que a sua roupa saia limpa de lá de dentro, esqueça. Se você espera que a sua roupa SAIA de lá de dentro, esqueça também, o ciclo mais curto dela leva 3 horas.&lt;br /&gt;O bom disso tudo é que minha mania de ver a roupa girar está bem controlada agora. Afinal, eu não tenho tempo nem saco pra ficar 3 horas olhando a máquina não fazer absolutamente nada. De vez em quando ela dá um gemidinho e meia rodadinha, mas nada que valha o esforço.&lt;br /&gt;Vou ter que voltar meu TOC para outras coisas. Eu gosto de consertar o cabo da TV, por exemplo. Mas dessa vez acho que vou voltar minha obsessão para as papoulas...&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-6418260541747650873?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/6418260541747650873/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2008/12/hell-yeah-im-back.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/6418260541747650873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/6418260541747650873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2008/12/hell-yeah-im-back.html' title='Hell yeah, I&apos;m back.'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-6080408221114608621</id><published>2008-07-18T12:06:00.002-03:00</published><updated>2008-12-09T14:29:54.712-02:00</updated><title type='text'>Day five.</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SICx2CFDNII/AAAAAAAAAAo/o2MyQ8e43eE/s1600-h/shrimp.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5224371109578880130" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SICx2CFDNII/AAAAAAAAAAo/o2MyQ8e43eE/s200/shrimp.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Ok, eu sei, eu sei... Ninguém começa a contar de cinco em diante. Mas eu não tive tempo de escrever nos últimos quatro dias, então comecemos pela metade.&lt;br /&gt;Bem, estou numa fase ‘salvemos os animaizinhos’, ‘join Peta’ , ‘go veg’ e etc. Não que eu já tenha estado numa fase ‘morte aos animaizinhos’, isso nunca, mas estou tentando não comer carne. Tarefa difícil, pois eu trabalho numa rua que tem uma churrascaria e onde quer que eu passe tem uma televisão de cachorro cheia de frangos douradinhos e suculentos rodando lá. É difícil escolher entre bife à milanesa e panqueca de espinafre, mas eu vinha tentando bravamente. Até ontem. Meu pai é o culpado. Ele comprou sabendo que eu amo camarão, que nada no mundo inteiro é melhor que camarão. A não ser talvez palmito e champignon, mas esses não são de carne e não vêm ao caso.&lt;br /&gt;Era tarde da noite e eu cheguei em casa com fome. Abrindo a geladeira me dei conta que minhas opções eram:&lt;br /&gt;a) Miojo de legumes com queijo;&lt;br /&gt;b) &lt;span style="color:#ff6600;"&gt;&lt;strong&gt;Bobó de camarão com arroz de brócolis.&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; Camarões enormes. Macios. Suculentos. Boiando naquele molho igualmente encantador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela hora não passou pela minha cabeça ‘fodam-se os camarões’. Naquela hora não passou nada pela minha cabeça pra falar a verdade. Foi quando minha irmã saltou na frente da geladeira na maior atitude ‘Frente para a Libertação Animal’, ativista free style:&lt;br /&gt;- Camarões morrem pela pressão do ar, é uma morte horrível sabia?!&lt;br /&gt;E eu babando, salivando, grunhi de volta:&lt;br /&gt;- Morrer de fome também deve ser uma morte horrível, embora eu nunca vá saber como é... sai da frente da geladeira!&lt;br /&gt;- Não! Você consegue!&lt;br /&gt;- Não consigo! Aaaaaaaaaaargh! É camarão cara! Dá um desconto. Camarão é quase planta!&lt;br /&gt;Eu a segurei pelo colarinho, dei uns tapas na cara e tirei ela da frente da geladeira. Caímos as duas no meio da cozinha. Silêncio. Olhamos uma pra outra a tivemos a pior crise de riso de história, de doer as costelas.&lt;br /&gt;Acabei comendo os camarões. Dormi com a consciência pesada e o estômago idem. Tive pesadelos a noite inteira com a Lapa, cemitérios e sexo com estranhos. Outros nem estranhos eram. Acordei passando mal e com a pressão baixa. Tanto que eu abaixei para tirar um pelinho da meia-calça e quando me levantei, caí. Se não fosse um poste me segurar, tinha caído no meio da rua.&lt;br /&gt;Moral da história: camarões são vingativos, incubus por natureza e fazem mal se comidos à noite.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-6080408221114608621?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/6080408221114608621/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2008/07/day-five.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/6080408221114608621'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/6080408221114608621'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2008/07/day-five.html' title='Day five.'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SICx2CFDNII/AAAAAAAAAAo/o2MyQ8e43eE/s72-c/shrimp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-7839254686149137141</id><published>2008-05-12T16:08:00.003-03:00</published><updated>2008-12-09T14:29:54.923-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Tédio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desesperança.'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='frustração'/><title type='text'>Retrospectiva de mim.</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SCiWI-RCw5I/AAAAAAAAAAg/wyFHm_SHhko/s1600-h/fyrh+(1).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5199570850696840082" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SCiWI-RCw5I/AAAAAAAAAAg/wyFHm_SHhko/s200/fyrh+(1).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;Aos quatro eu dançava lambada;&lt;br /&gt;Aos onze axé;&lt;br /&gt;Aos dezoito eu não dançava nada. Imaginava eu que tinha tomado vergonha na cara, mas fui descobrir aos vinte e quatro que vergonha na cara é outra coisa e vem sem bula...&lt;br /&gt;Aos cinco eu arrastei minha irmã dentro de uma caixa de papelão e ela se ralou no chão. Não doeu tanto quanto os tapas da minha mãe na minha retaguarda, creio eu...&lt;br /&gt;Aos seis eu apostei com uns meninos que colocava uma minhoca seca na boca.&lt;br /&gt;Aos seis eu ganhei a aposta...&lt;br /&gt;Aos onze eu ganhei minhas primeiras flores e se eu soubesse quão raras eram, não teria pisado nelas. Aos doze me apaixonei pela primeira vez.&lt;br /&gt;Aos dezoito pela segunda.&lt;br /&gt;Aos vinte e um pela terceira e última. E pra mim já deu. Os demais foram encantamentos com duração de 12 horas. Culpa de alguma bruxa pérfida, chamada Carência ou Frustração.&lt;br /&gt;Aos quatro eu queria ser florista.&lt;br /&gt;Aos sete eu queria ser veterinária. Aos quatorze eu tinha certeza absoluta que tinha nascido pra ser rockstar.&lt;br /&gt;Aos dezesseis eu queria ser escritora.&lt;br /&gt;Aos vinte e seis eu serei marqueteira.&lt;br /&gt;Ou não. Quem sabe...&lt;br /&gt;Aos treze eu sabia que nunca ia lavar cueca de homem nenhum.&lt;br /&gt;Aos vinte e três eu percebi que ia até cozinhar.&lt;br /&gt;Aos quinze eu odiava meu pai com todas as minhas forças.&lt;br /&gt;Aos vinte e quatro eu o amo demais, salvo raras exceções.&lt;br /&gt;Aos dezesseis fumei meu primeiro cigarro.&lt;br /&gt;Aos dezenove fumei meu último cigarro.&lt;br /&gt;Aos vinte e um fumei meu primeiro cigarro de novo...&lt;br /&gt;Aos oito eu era &lt;strong&gt;&lt;em&gt;‘a’&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; cdf da escola, em negrito e itálico.&lt;br /&gt;Aos dezesseis eu nem ia à escola.&lt;br /&gt;Aos dezoito eu sofri meu único acidente grave.&lt;br /&gt;Espero que aos setenta ele continue tendo sido o único.&lt;br /&gt;Terminei aos dezoito meu primeiro relacionamento.&lt;br /&gt;E comecei meu segundo relacionamento. Que perdura até hoje, entre trancos e barrancos.&lt;br /&gt;Sim, foi um ano tumultuado.&lt;br /&gt;Aos dezessete não sabia o que queria da vida.&lt;br /&gt;Aos vinte e quatro não sei o que a vida quer de mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-7839254686149137141?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/7839254686149137141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2008/05/retrospectiva-de-mim.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/7839254686149137141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/7839254686149137141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2008/05/retrospectiva-de-mim.html' title='Retrospectiva de mim.'/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SCiWI-RCw5I/AAAAAAAAAAg/wyFHm_SHhko/s72-c/fyrh+(1).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6395579744753071228.post-4925512818325810240</id><published>2008-01-18T11:28:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T14:29:55.015-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/R5CqhUbnXHI/AAAAAAAAAAY/38nSKWbGd4M/s1600-h/1977-puff-the-cat-sleeping.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5156809062736157810" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/R5CqhUbnXHI/AAAAAAAAAAY/38nSKWbGd4M/s200/1977-puff-the-cat-sleeping.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje eu me levantei mais cedo, pois tinha reunião marcada na empresa. Odeio acordar mais cedo, meu cérebro leva 30 minutos pra dar o boot de manhã, e são justamente esses 30 minutos em que eu fico na cama tapeando o despertador do meu celular, que é o Chris Cornell, o que me proporciona um dia lindo pela frente. Papai do céu, quando eu crescer eu quero berrar que nem ele...&lt;br /&gt;Voltando ao fio da meada, eu me levantei mais cedo e fui tomar café. Passei leite na mesa, café no fogão, biscoito no chão e manteiga no Nescau. Derrubei o queijo, que o gato tava rezando pra que fosse presunto, esqueci o gás ligado, meu avô me salvou, minha irmã entrou no banheiro antes de mim, atrasou meu banho, perdi o carregador do celular e sujei a roupa que eu ia usar, pisei no rabo do Concha, coloquei sucrilhos pros ratos, não sem antes derrubar um tanto no sofá. Minha irmã saiu do banheiro.&lt;br /&gt;Escorreguei no sabonete cheio de cabelos que tava largado no chão, derramei o shampoo, deixei a ponta da toalha chafurdar na água da privada (!!!) e por muito pouco não escovei os dentes com creme de barbear. Apareceram 5 espinhas na minha testa e mais 3 no queixo no curto intervalo de tempo entre o tombo do sabonete e a toalha na privada. Eu espremi, ficou pior, tentei esconder com a franja, ficou pior ainda. Vesti a roupa que eu não queria e saí, tropeçando no guarda-chuva aberto na área de serviço antes (isso é lugar de guarda-chuva ABERTO?). Perdi o ônibus e comecei a sentir dor de estômago, corri de salto que nem uma louca e cheguei finalmente à reunião, com 30 minutos de atraso, hora de acordar...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6395579744753071228-4925512818325810240?l=casadamaejohana.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/feeds/4925512818325810240/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2008/01/hoje-eu-me-levantei-mais-cedo-pois.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/4925512818325810240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6395579744753071228/posts/default/4925512818325810240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadamaejohana.blogspot.com/2008/01/hoje-eu-me-levantei-mais-cedo-pois.html' title=''/><author><name>Joice Viana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01554033795662650485</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='29' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/SWi5BLnjJ1I/AAAAAAAAACY/TaQLju3-vFQ/S220/jdnjdm+(4).jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_3T25KivBNCA/R5CqhUbnXHI/AAAAAAAAAAY/38nSKWbGd4M/s72-c/1977-puff-the-cat-sleeping.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
